Translate

Mostrando postagens com marcador cobre. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cobre. Mostrar todas as postagens

terça-feira, setembro 13, 2016

OS MÉTODOS CONTRACEPTIVOS


Os principais métodos contraceptivos

Maximiliano Mendes

Nem todos os casais estão preparados para ser pais, pode ser por motivos financeiros, às vezes têm objetivos mais urgentes ou até mesmo por imaturidade. Porém, como os casais mantêm relações sexuais, é interessante que haja formas de impedir que a prática sexual resulte na geração de uma criança que, no momento, não é desejada. Essas formas são o que chamamos de métodos contraceptivos.

Se definirmos concepção como o ato de conceber uma nova vida, a contracepção basicamente consiste em impedir que isso ocorra. Por exemplo, se admitirmos que a concepção ocorre no momento da fertilização, a contracepção é algo capaz de impedir esse encontro entre os gametas masculino e feminino. Além disso, alguns consideram que o aborto induzido também pode ser considerado como contraceptivo, pois impede que o novo indivíduo sobreviva.

Atualmente existem vários métodos contraceptivos, capazes de impedir a concepção de diversas formas. Vejamos um resumo acerca dos principais:

Imagem mostrando vários métodos contraceptivos e as suas eficiências.

Abstinência: consiste basicamente em não manter relações sexuais, indefinidamente ou por certo período. Por exemplo, um casal pode se abster de relações sexuais nos dias referentes ao período fértil da mulher, ou então, alguma pessoa pode se abster das relações sexuais indefinidamente por motivos religiosos. Requer força de vontade e, quando se trata de um casal, é necessário que haja apoio mútuo. Obviamente, além de proteger o indivíduo de doenças sexualmente transmissíveis – DSTs, é o método contraceptivo mais eficiente. A não ser que você seja raptado ou abduzido por um grupo de pesquisadores alienígenas.

É importante mencionar também que alguns casais praticam a abstinência apenas no sentido da conjunção carnal propriamente dita, ou seja, abstêm-se apenas das atividades nas quais há a introdução do pênis na vagina, porém, praticam outros tipos de atividades sexuais.

A abstinência não apresenta efeitos colaterais e pode ser utilizada por qualquer pessoa ou casal que consiga e, mais importante: que efetivamente queira! Não adianta forçar alguém a aderir ao método contra a vontade e nem é correto forçar alguém a querer manter relações. Alguns estudos mostram que os jovens que participam de programas de incentivo à abstinência, muitas vezes por vontade de outros e não deles mesmos, na verdade, também andam praticando relações sexuais por aí...


Método da tabelinha e técnicas de percepção da fertilidade: consiste em não manter relações sexuais nos dias referentes ao período fértil do ciclo menstrual feminino, logo, é um tipo de abstinência. Em tese, a aplicação é simples, porém, na prática, nem tanto. Os motivos são:

É preciso que a mulher descubra se tem ciclos menstruais regulares, quantos dias o ciclo dura (os ciclos podem variar de 26 a 32 dias, dependendo da mulher) e qual é o dia do ciclo em que ovula. Para saber a duração dos ciclos, pode-se monitorar seis deles, anotando em alguma tabela, calendário de papel, ou em aplicativos de smartphones os dias nos quais as menstruações iniciam (dia 01 do ciclo) e assim, contar os dias até a próxima menstruação.

Lembrando que, o dia em que inicia o fluxo de sangue é o dia 01 do ciclo e o último dia é o anterior à menstruação seguinte: por exemplo, se você menstruar hoje, hoje é o dia 01 de um ciclo e ontem foi o último dia do ciclo anterior. Após monitorar o procedimento seis vezes, você saberá a duração aproximada dos seus ciclos menstruais.


Para descobrir qual é dia provável em que você ovula basta subtrair 14 do número de dias do ciclo. Por exemplo, se o seu ciclo dura 28 dias, 28 – 14 = 14, então 14 é o dia provável da sua ovulação. Se o seu ciclo dura 30 dias, 30 – 14 = 16, então você deve ovular no dia 16 do ciclo. Admite-se que após a ovulação o ciclo termine em 14 dias, pois é o tempo necessário para que o corpo amarelo ovariano degenere e pare de produzir estrógeno e progesterona. Isso ocorre por conta de os ovários poderem regenerar.

É até possível ter uma boa ideia de quando se está ovulando ou se já ovulou, caso se note que está escorrendo um muco transparente e de consistência viscosa da vagina. Esse muco está correlacionado ao pico de LH que promove a ovulação. Além disso, também é possível verificar um aumento de aproximadamente 0,5° C na temperatura corporal devido ao aumento da concentração de progesterona no sangue, que se dá após a ovulação. Ainda por conta do aumento na concentração de progesterona, posteriormente o muco cervical se torna opaco e espesso.


Enfim, por ser um método de difícil aplicação, na prática, parece não ser tão eficiente para muitos casais.

Quanto à eficiência:

Com o uso perfeito, tem 95 – 99 % de eficiência. Entre 1 – 5 de cada 100 mulheres terá uma gravidez acidental durante o primeiro ano de uso do método.

Com o uso típico, tem 76 – 88 % de eficiência. Entre 12 – 24 de cada 100 mulheres terá uma gravidez acidental durante o primeiro ano de uso do método.

OBS: o uso perfeito se refere ao uso em testes clínicos, já o uso típico é a vida real. Saber como o método funciona, como se usa e estudar sobre ele, aproxima o uso típico do uso perfeito.

Coito interrompido ou método da retirada: utilizado desde os tempos primitivos, a ideia é que o homem retire o pênis da vagina da mulher antes de ejacular. Convenhamos, não precisa ser especialista para perceber que esse não é o método mais eficiente do mundo, pois demanda muito autocontrole por parte do homem.



Quanto à eficiência: 96% com o uso perfeito e 78 % com o uso típico.

Camisinhas: também chamadas de preservativos, são capas ou sacos normalmente feitos de látex que cobrem o pênis e, assim, impedem que haja contato direto entre os órgãos genitais. Como cobrem o pênis, o esperma ejaculado, ao invés de ser depositado na vagina, permanece na camisinha, impedindo a fertilização. Além disso, por impedirem o contato direto entre os órgãos genitais, previnem contra as doenças sexualmente transmissíveis. Só a abstinência e as camisinhas conseguem prevenir as DSTs.

Dentre as vantagens, além de prevenirem as DSTs, as camisinhas são baratas, às vezes gratuitas, fáceis de encontrar e não precisam de prescrição médica. Para as pessoas alérgicas ao látex, existem camisinhas feitas de poliuretano. Além disso, como a cobertura diminui a sensibilidade da glande do pênis, pode fazer com que o homem demore mais a ejacular e isso pode ser desejável no caso de homens que sofrem de ejaculação precoce.

Outros detalhes importantes: não se recomenda usar duas camisinhas ao mesmo tempo, pois, por conta do atrito extra, ambas podem ser rompidas com mais facilidade (é isso que você vai responder em provas, mas há exceções à essa regra).


Quanto à eficiência: com o uso perfeito, 98 % de eficiência e com o uso típico, 82 %.

No que tange às camisinhas femininas, estas são semelhantes às masculinas no sentido de que também são capas ou sacos, porém, são encaixadas dentro da vagina de forma a cobri-la para que o pênis não entre em contato direto com a mucosa vaginal. Outra diferença é que elas não são feitas de látex, mas sim de poliuretano (plástico) ou borracha nitrílica e isso é uma vantagem para quem tem alergia ao látex.  Também é recomendada para os casos em que o parceiro da mulher não quer usar uma camisinha (eu li isso nos sites especializados, mas acho uma justificativa pobre...), ou para os casos em que a pessoa já quer colocar a camisinha previamente (por exemplo, para uma mulher que pretende ingerir bebidas alcoólicas ou outras drogas psicoativas antes do ato sexual).


As desvantagens em relação às camisinhas masculinas são que as femininas são mais caras e um pouco menos eficientes.

Quanto à eficiência: uso perfeito - 95 %, uso típico – 79 %.

Métodos hormonais: aqui a coisa começa a complicar um pouco, pois é necessário que você tenha conhecimentos sobre como funciona o ciclo menstrual, quais hormônios estão envolvidos e como eles atuam. Para simplificar, vou usar como exemplo as pílulas anticoncepcionais. Essas pílulas contêm estrógeno e progesterona (ou então só progesterona) sintéticos e são tomadas diariamente. A ideia é a seguinte:

Tanto o estrógeno quanto a progesterona são hormônios capazes de inibir, por retroalimentação negativa, a liberação dos hormônios hipofisários FSH e LH (destaco o detalhe traiçoeiro de que em concentrações muito altas, o estrógeno tem o efeito oposto). O FSH e o LH atuam promovendo a ovulação, condição necessária para que possa haver a fertilização e a gestação, mas como as altas concentrações de estrógeno e progesterona inibem a liberação desses hormônios, não haverá ovulação e nem fertilização. Além disso, esses hormônios também são capazes de espessar o muco cervical, o que dificulta o deslocamento dos espermatozoides.

Pode se dizer que o efeito das pílulas é o de simular uma gestação, período no qual a placenta produz estrógeno e progesterona, que inibem a liberação de FSH e LH para que não haja ovulação e a mulher possa vir a ter mais de um embrião implantado no mesmo útero no qual já há outro bebê se desenvolvendo em estágio mais avançado. Por que isso é ruim? Imagine o parto do primeiro: o que acontece com o que chegou depois?

Há dois tipos de pílulas: as combinadas, que utilizam estrógeno e progesterona sintéticos, e as que possuem apenas progesterona sintética, para os casos em que a mulher não pode usar (ou pelo menos não se recomenda usar) a combinada. Alguns exemplos de casos que impedem a pessoa de usar a pílula combinada são os das mulheres que sofrem de trombose, algumas doenças do coração, diabetes mellitus, enxaqueca, hipertensão e fumantes.

As pílulas contendo apenas progesterona atuam impedindo o pico na liberação de LH pra impedir a ovulação e também espessam o muco cervical, dificultando a subida dos espermatozoides. Outro ponto importante é que o seu efeito pode ser revertido mais rapidamente, caso a mulher pare de tomar. Essas pílulas são tomadas continuamente, mas pode se fazer pausas para que haja menstruação.

As pílulas combinadas normalmente requerem uma pausa. Ao invés de tomar 28 pílulas em 28 dias seguidos e assim sucessivamente, as cartelas trazem 21 e faz se uma pausa de 7 dias, ou então, 24 e faz se uma pausa de 4 dias, para que possa haver menstruação. Às vezes as cartelas têm pílulas para os dias de pausa, mas essas pílulas contém ferro, a fim de repor o que será perdido na menstruação e para que a pessoa não perca o costume de tomar a pílula todos os dias. Já para as pílulas contendo apenas progesterona não se faz pausa.


Quanto à eficiência: 99 % com o uso perfeito e 91 % com o uso típico (infelizmente, o problema mais comum é que as pessoas esquecem de tomar as pílulas).

Os implantes, adesivos, injeções e DIU contendo hormônios, por exemplo, são baseados na mesma lógica das pílulas: contém estrógenos e progesterona ou apenas progesterona e, assim, também agem impedindo a ovulação.

Já no que tange ao tipo de contraceptivo de emergência popularmente conhecido como “pílula do dia seguinte” (pois é recomendado que se utilize o quanto antes após uma relação sexual) têm concentrações de progesterona mais elevadas que as pílulas tradicionais e atuam no sentido de impedir a ovulação, espessar o muco cervical e a implantação de um embrião no endométrio (por isso, podem ser consideradas abortivas). Diz-se que, se a mulher já estiver grávida, essas pílulas não induzirão um aborto. Há também uma pílula mais recente, chamada de “ella”, que não contém os hormônios, mas sim uma substância chamada acetato de ulipristal (UPA), capaz, dentre outras coisas, de atrasar a ovulação por tempo suficiente para que os espermatozoides morram e a fertilização não ocorra. Lembrando que o uso dos contraceptivos de emergência, como o nome indica, é para emergências: preservativos rasgados durante o ato sexual, estupros, relações sexuais sob embriaguez e coisas do tipo.

E, por último, sobre a suposta pílula masculina, ainda não existe algo que possa ser comercializado, porém, existem pesquisas que objetivam desenvolver algum método hormonal para os homens. Uma abordagem é a de se utilizar ésteres de testosterona em combinação com progesterona sintética visando diminuir a produção de espermatozoides ao inibir a liberação das gonadotrofinas hipofisárias: o FSH e o LH, que atuam na espermatogênese. Testes recentes com uma substância chamada undecanoato de nandrolona (DMAU) foram capazes de reduzir os níveis séricos de testosterona e outros hormônios que atuam na espermatogênese. Porém, esse tipo de alteração nos níveis hormonais masculinos pode causar efeitos colaterais sérios, como as alterações nas funções dos testículos e infertilidade de difícil reversão.

Dispositivo intrauterino  (DIU): é um trambolho de plástico cuja forma parece uma cruz que a mulher tem de carregar dentro do útero. Ele deve ser inserido por um médico (apenas por um médico!) no interior do útero e pode permanecer lá por pelo menos 3 anos, sendo que alguns podem permanecer por muito mais tempo. Existem dois tipos de DIU, o de cobre e o hormonal:

Os hormonais liberam progesterona e o modo de ação é, em essência, o mesmo dos métodos hormonais já mencionados. Podem durar de 3 – 6 anos. Já o DIU de cobre tem um fio de cobre que libera cobre. Acredita-se que o cobre tenha ação espermicida. (Cobre, cobre, cobre, cobre...). Pode durar até 12 anos.


Além dos dois efeitos característicos, acredita-se que a presença do DIU cause inflamação no endométrio, o que por sua vez, pode atuar no sentido de impedir a implantação de um embrião, caso tenha havido fertilização (pois a inflamação atrai células do sistema imunitário que fagocitam os espermatozoides). Por conta disso, pode ser considerado um método abortivo. Como esses efeitos são mais acentuados com o DIU de cobre, ele pode também ser utilizado como contraceptivo de emergência.

De qualquer forma, é um método muito eficiente, discreto, a mulher não tem de ficar se lembrando de tomar algo ou fazer algo e normalmente, após a retirada, a fertilidade retorna rapidamente.


Eficiência: mais de 99 % tanto para o uso perfeito quanto para o uso típico!

Diafragma + Espermicida: O diafragma é basicamente, uma tampa de silicone que deve ser introduzida dentro da vagina de forma a cobrir e tampar o colo do útero. Isso impede a subida do esperma e a fertilização. Deve ser utilizado com géis ou cremes espermicidas e mantido por pelo menos 6 h (máximo de 24 h) após o ato sexual, para que haja tempo dos espermatozoides perderem a mobilidade. Note que os espermicidas, apesar do nome, não matam os espermatozoides, o que eles fazem é prejudicar a mobilidade deles e também podem tampar o colo do útero e bloquear a passagem. O diafragma é posto e retirado com as mãos mesmo, dá pra puxar com o dedo depois.


Eficiência: 94 % para o uso perfeito e 88 % para o uso típico.

Esterilização (laqueadura tubária e vasectomia): nesses casos, recorrem-se aos procedimentos capazes de esterilizar o indivíduo, ou seja, tornar a pessoa infértil, incapaz de gerar descendentes. Obviamente, são contraceptivos extremamente eficientes.

Para os homens, um exemplo é a vasectomia, que normalmente consiste em se cortar (seccionar) os canais deferentes. Assim, apesar de continuar produzindo esperma e podendo aproveitar a sensação do orgasmo, os espermatozoides produzidos não chegam até a uretra e nem são ejaculados. Eles morrem e são reabsorvidos por outras células do corpo. Alguns vazam dos canais deferentes seccionados, mas o destino é o mesmo. E o homem continua ejaculando, pois a maior parte do sêmen (ou esperma) é proveniente das secreções das glândulas seminais e da próstata.


Após o procedimento, leva cerca de 15 a 20 ejaculações para que o esperma esteja livre de espermatozoides. Então, por um tempo, é recomendável usar outro método contraceptivo, como as camisinhas, até que exames constatem que não há mais espermatozoides no sêmen. De 7 – 10 % dos homens se arrependem de terem passado pelo procedimento.

Para as mulheres, um procedimento equivalente à vasectomia é a laqueadura tubária, na qual se cortam as tubas uterinas. Dessa forma, os espermatozoides não conseguem alcançar os ovócitos II liberados na ovulação. A mulher continua ovulando e parece não haver alterações no ciclo menstrual e nem nas sensações de orgasmo. Um outro método recente e interessante é o chamado Essure (nome do método/produto), no qual são inseridas, sem cirurgia, molas nas tubas uterinas que causam lesões e fibrose, de forma que as tubas uterinas são fechadas, também impedindo a passagem de gametas e a fertilização.


No Brasil, de acordo com a Lei 9263/1996, para poder passar por um procedimento de esterilização, a pessoa deve preencher alguns requisitos:

Art. 10. Somente é permitida a esterilização voluntária nas seguintes situações: (Artigo vetado e mantido pelo Congresso Nacional - Mensagem nº 928, de 19.8.1997)

I - em homens e mulheres com capacidade civil plena e maiores de vinte e cinco anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos, desde que observado o prazo mínimo de sessenta dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico, período no qual será propiciado à pessoa interessada acesso a serviço de regulação da fecundidade, incluindo aconselhamento por equipe multidisciplinar, visando desencorajar a esterilização precoce;

II - risco à vida ou à saúde da mulher ou do futuro concepto, testemunhado em relatório escrito e assinado por dois médicos.

No tocante à eficiência, tanto a vasectomia quanto a laqueadura apresentam eficácia maior que 99 % para o uso perfeito e uso típico.

Por fim, é possível, mas não é garantido que os métodos acima citados possam ser revertidos cirurgicamente. Logo, quem está pensando em passar por um deles, deve fazê-lo com o intuito de não mais voltar atrás na decisão.

Aborto induzido: bem, é terminar uma gestação (tradução: matar o bebê), voluntariamente, com o uso de substâncias ou procedimentos médicos.

Sumário sobre a eficiência dos métodos contraceptivos, os números refletem os percentuais de gestações indesejadas no primeiro ano de uso:

Camisinha masculina: 18 %. Camisinha feminina: 21 %.
Coito interrompido: 22 %.
Tabelinhas: 24 %.
Diafragma: 12 %.
Pílulas contraceptivas: 9 %. Implantes: 0,05 %.
DIU de cobre: 0,8 %. DIU de progesterona: 0,2 %.
Laqueadura: 0,5 %. Vasectomia: 0,15 %.

REFERÊNCIAS:

Zieman M, Hatcher RA. Managing Contraception On the Go. Tiger, Georgia: Bridging the

Gap Foundation, 2012.










http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.3109/09513590.2014.950648?needAccess=true

https://saude.abril.com.br/medicina/novo-anticoncepcional-masculino-se-sai-bem-em-estudo-agora-vai/












terça-feira, abril 02, 2013

OS SAIS MINERAIS E AS VITAMINAS



OS SAIS MINERAIS E AS VITAMINAS
Maximiliano Mendes

OS SAIS MINERAIS:

Para manter o funcionamento adequado de nossos corpos e células, necessitamos de diversos elementos químicos que podem ser obtidos a partir da ingestão dos sais minerais. Esses elementos químicos que os constituem executam funções metabólicas importantes. Por exemplo, o fosfato de cálcio atua como componente estrutural da matriz óssea.

Como exemplo de sal típico temos o sal de cozinha, NaCl, que em água se dissocia em:

A. Na+: cátion importante na manutenção do equilíbrio hídrico do organismo e no processo de condução de impulsos elétricos.
B. Cl-: também envolvido na manutenção do equilíbrio hídrico.

No que diz respeito às quantidades que devem ser ingeridas de cada elemento, podemos classificá-los em:

A. Macronutrientes: É necessário ingeri-los em grandes quantidades, superiores a 100 mg/dia. Exemplos: cálcio, fósforo, enxofre, potássio, sódio, cloro e magnésio.
B. Micronutrientes: são necessários em pequenas quantidades, que não excedem 20 mg/dia. Exemplos: ferro e zinco.

Vejamos a seguir um resumo sobre os principais elementos obtidos a partir dos sais minerais, suas principais funções, fontes e doenças com as quais podem estar relacionados:

Cálcio:

  • Componente estrutural dos ossos e dentes.
  • Age em processos que envolvem movimentos celulares, como a contração muscular.
  • Atua no processo de coagulação sanguínea e no funcionamento dos nervos.
  • Pode ser obtido em vegetais verde-escuros e no leite/laticínios.
  • A deficiência de cálcio pode levar à osteoporose e ao raquitismo. E ao contrário, o consumo excessivo e a deficiência em eliminar o cálcio pela urina podem ocasionar pedras nos rins.
  • Acredita-se que a cafeína possa dificultar a absorção desse elemento, mas o efeito é de pequena magnitude e espera-se que não prejudique as pessoas que ingerem o cálcio em quantidades recomendadas.
  • A atividade física auxilia na fixação do cálcio nos ossos.


Cloro:

  • Envolvido na manutenção do equilíbrio hídrico do organismo. A presença do cloro em certo meio, dependendo da concentração na qual se encontra, age no sentido de aumentar ou diminuir a pressão osmótica desse meio. A pressão osmótica é a pressão que uma solução exerce contra uma membrana semipermeável a fim de impedir que a água flua para ela, passando pela membrana, por osmose.  
  • O cloro também é importante na geração de HCl, presente no suco gástrico.
  • Pode ser obtido do sal de cozinha.


Cobalto:

  • Componente da vitamina B12, envolvida no processo de produção das hemácias.
  • Presente em carnes e laticínios.


Cobre:

  • Cofator de algumas enzimas, como a citocromo c oxidase, envolvida no processo de respiração celular.
  • Envolvido no metabolismo do ferro e na produção de hemoglobina.
  • Atua como antioxidante.
  • Age na produção de melanina, substância responsável pela pigmentação da pele e dos cabelos.
  • Pode ser obtido na carne de fígado, peixes, mamão formosa, ovos e cereais como o trigo e a linhaça.
  • Os excessos de Zinco e Ferro dificultam a absorção do cobre, um alerta aos que tomam suplementos polivitamínicos e poliminerais indiscriminadamente.
  • Normalmente, só se absorve  30 % do cobre obtido pela alimentação (mas essa taxa pode aumentar, caso o organismo apresente deficiência).


Cromo:

  • Envolvido no metabolismo energético.
  • Age na potencialização da ação do hormônio insulina.
  • Encontrado nas carnes, cereais integrais e levedo de cerveja.
  • Sabe-se de duas causas que podem afetar a absorção do cromo: os exercícios físicos de resistência podem aumentá-la, e em contrapartida, o uso prolongado de medicamentos capazes de alterar a acidez estomacal pode diminuí-la.


Enxofre:

  • Componente estrutural dos aminoácidos metionina e cisteína.
  • Presente em carnes e legumes.


Ferro:

  • Componente de proteínas carreadoras de oxigênio como a hemoglobina e a mioglobina.
  • É necessário para que haja o desenvolvimento do sistema nervoso dos embriões.
  • Pode ser obtido nas carnes, ovos, feijão e vegetais verde-escuros.
  • A deficiência de ferro pode gerar anemia. Alguns sintomas da anemia incluem a fadiga, palidez e pressão baixa.
  • As vitaminas C e A auxiliam na absorção do ferro, já o zinco, cálcio e os taninos (compostos presentes nos chás, cafés e vinhos) em quantidades elevadas, inibem o processo de absorção. Novamente um alerta aos que tomam suplementos polivitamínicos e poliminerais de maneira indiscriminada.


Flúor:

  • Componente estrutural dos ossos e do esmalte dos dentes.
  • É adicionado à água e aos cremes dentais, pois pode proteger contra as cáries.
  • Pode ser encontrado, em pequenas quantidades, em diversos tipos de alimentos.
  • Há, porém, controvérsias sobre as quantidades que devem ser ingeridas diariamente na água fluoretada. Alguns pesquisadores suspeitam que a ingestão de altas quantidades de flúor possam estimular a multiplicação de células chamadas osteoblastos (as que produzem a matriz óssea) e isso poderia, talvez, induzir a formação de tumores. Além disso, o consumo em excesso pode também aumentar o risco de fraturas.


Fósforo:

  • É componente estrutural dos ossos e dentes.
  • Faz parte dos grupos fosfatos dos nucleotídeos e dos fosfolipídios, logo, está envolvido na síntese dos ácidos nucleicos e das membranas biológicas. Dentre os nucleotídeos, podemos destacar o ATP: envolvido em processos que envolvem transferência de energia.
  • Pode ser obtido nas carnes (inclusive de peixes, como o cação), laticínios e cereais.
  • O alumínio, presente em medicamentos antiácidos, reduz a absorção do fósforo.


Iodo:

  • Componente dos hormônios triiodotironina e tiroxina, produzidos na tireóide e que atuam estimulando os processos metabólicos.
  • Presente no sal de cozinha iodado, peixes, frutos do mar e laticínios. O iodo é adicionado ao sal de cozinha, pois, infelizmente, é um elemento raro na natureza.
  • A deficiência de iodo pode causar hipotireidismo e bócio (aumento da glândula tireoide). Na infância, a deficiência de iodo pode causar o cretinismo, que apresenta, dentre outros sintomas, retardo mental e físico.
  • Durante a gestação, a deficiência de iodo já foi associada com um aumento na incidência de desordem de atenção.


Magnésio:

  • Componente de muitas coenzimas e das clorofilas.
  • E necessário para o funcionamento normal de células musculares e neurônios.
  • Confere resistência aos ossos e dentes.
  • Encontrado em cereais integrais, feijão e peixes.
  • O excesso de fibras, álcool ou cálcio diminuem sua absorção, ao passo que a lactose pode aumentar a absorção.
  • A cafeína pode promover a sua eliminação.
  • É um elemento abundante na natureza, porém, sua disponibilidade pode ser reduzida nos alimentos graças aos métodos da agricultura intensiva.


Manganês:

  • Cofator de diversas enzimas, estando inclusive envolvido no metabolismo da glicose.
  • Requerido para que haja a formação dos ossos.
  • Pode atuar na proteção das células contra os danos que podem ser causados pelos radicais livres.
  • Encontrado nos cereais integrais, no abacaxi, manga e nos ovos.
  • O manganês é mais facilmente absorvido pelo organismo feminino do que pelo masculino.
  • Sua absorção pode ser inibida por antiácidos ou laxantes contendo magnésio, caso sejam ingeridos simultaneamente.


Molibdênio:

  • Cofator de diversas enzimas.
  • Presente nos laticínios, cenoura, feijão preto e cereais integrais.
  • Alguns estudos indicam que o molibdênio da soja praticamente não é absorvido, apesar de ela ter quantidades relativamente grandes desse elemento. Outros estudos mostram que o molibdênio pode estar associado a diminuição da incidência de cáries.


Potássio:

  • Envolvido nos processos de contração muscular, condução de impulsos elétricos pelos neurônios e manutenção do equilíbrio hídrico.
  • Encontrado em Carnes, laticínios e frutas.
  • A deficiência de potássio pode levar a um quadro de depressão e também de retenção de sal.


Selênio:

  • Atua associado à vitamina E, prevenindo a anemia e a esterilidade.
  • Envolvido nas respostas imunitárias.
  • Age na absorção do iodo (componente dos hormônios tireoidianos).
  • Protege as células contra danos causados pelos radicais livres.
  • Pode ser obtido em carnes, incluindo a de fígado, castanha do Pará, pão francês, cereais e leguminosas.
  • Pode estar associado na prevenção do desenvolvimento de tumores (mas é necessário realizar mais estudos a fim de confirmar essa função).


Sódio:

  • Envolvido no controle hídrico do organismo e na condução de impulsos elétricos pelos neurônios.
  • Presente no sal de cozinha.


Zinco:

  • Componente de enzimas que participam do processo digestório, dentre outras.
  • Atua no processo de cicatrização e divisão celular.
  • Pode estar envolvido no sentido do paladar.
  • Age no sistema imunitário.
  • Envolvido na síntese da vitamina A.
  • Encontrado em carnes, ovos e cereais.
  • A deficiência de zinco pode retardar o crescimento.
  • Os alcoólatras podem ter a absorção de zinco comprometida.
  • Pode interferir na absorção do ferro e do cobre pelo organismo.

Vimos então, após essa lista, que nem chega a ser exaustiva, que cada elemento pode ter mais de uma função e que vários fatores podem influenciar a absorção deles, por isso é importante que a dieta seja variada, que não falte nada e que não se ingira nada em excesso. A dieta variada também nos fornece as vitaminas das quais precisamos:

AS VITAMINAS:

Vitaminas são substâncias orgânicas que não pertencem a uma classe de compostos em particular. São envolvidas em diversos processos metabólicos, inclusive atuando como cofatores (vitaminas hidrossolúveis) de diversas enzimas. Acredita-se que os organismos superiores (como nós humanos) perderam a capacidade de sintetizar várias dessas substâncias ao longo do processo evolutivo, sendo assim, as vitaminas são parte essencial das nossas dietas. Por exemplo, vários primatas, como os chimpanzés e os humanos, não conseguem sintetizar a vitamina C.

Podemos dividir as vitaminas em dois grupos principais de acordo com a sua estrutura química:

  • Vitaminas lipossolúveis: substâncias apolares, insolúveis em água, podem ser armazenadas no tecido adiposo, então não precisam ser ingeridas em grandes quantidades diárias. São as vitaminas K, A, D e E.
  • Vitaminas hidrossolúveis: substâncias polares, solúveis em água. Devem ser ingeridas em maior frequência que as lipossolúveis, pois não são armazenadas e por serem solúveis em água também são mais facilmente excretadas. São as vitaminas C e B.


Vejamos a seguir um resumo sobre as vitaminas, suas funções e possíveis doenças relacionadas:

Vitaminas hidrossolúveis:

Vitaminas B: várias substâncias que atuam em processos relacionados ao metabolismo energético. No geral, podem ser obtidas a partir de alimentos de origem animal. E no que diz respeito à carência, a falta de vitamina B1 pode causar uma desordem neurológica chamada beribéri. (*Para os meus estudantes eu só cobro isso de vitaminas B, porém, segue uma descrição breve sobre todas elas).

B1 (tiamina):

  • Envolvida no metabolismo de glicídios, mantém o tônus muscular e o funcionamento do sistema nervoso.
  • Pode ser obtida das carnes, ovos, abacaxi, pão francês e cereais integrais.
  • Sua deficiência pode resultar em beribéri (doença que aflige o sistema nervoso periférico) e outras disfunções neurológicas.


B2 (riboflavina):

  • Envolvida em reações de óxido-redução, no metabolismo energético. Essa vitamina é convertida em uma substância chamada FAD (flavina adenina dinucleotídeo) que participa do processo de respiração celular.
  • Mantém a pele saudável.
  • Auxilia na formação das hemácias e na manutenção da estrutura das mucosas.
  • Também contribui para o transporte e o metabolismo do ferro.
  • Pode ser obtida das carnes, ovos e laticínios.
  • Sua deficiência pode resultar em rachaduras nos cantos da boca (não é escorbuto!).


B3 (niacina):

  • Mantém o tônus muscular e o funcionamento do sistema nervoso.
  • Componente da coenzima NAD+ (nicotinamida adenina dinucleotídeo) que participa do processo de respiração celular.
  • Mantém a estrutura da pele e das membranas mucosas.
  • Pode ser obtida das carnes (como o frango e o cação), ovos e laticínios.
  • Sua deficiência pode resultar em pelagra, a doença dos três “Ds”, pois tem como sintomas: dermatite, diarréia e demência. Essa dermatite confere à pele um aspecto enrugado, similar ao das queimaduras de sol.
  • Essa vitamina tem sido prescrita para pessoas que sofrem de colesterol alto.


B5 (ácido pantotênico):

  • Componente da coenzima A, envolvida no metabolismo energético. Também age na formação de hormônios que regulam o funcionamento do sistema nervoso.
  • Pode ser obtida das carnes, leite, abacate e cereais integrais.
  • Sua deficiência pode resultar em hipertensão, anemia e formigamento nas mãos e nos pés.
  • O metabolismo dessa vitamina pode ser alterado pela ingestão de álcool.
  • Até 50 % dessa vitamina pode ser perdido no cozimento dos alimentos.


B6 (piridoxina):

  • Envolvida na oxidação dos alimentos e mantém a pele saudável.
  • Atua no transporte do ferro, no funcionamento do sistema nervoso e na formação das hemácias.
  • Envolvida no metabolismo dos aminoácidos.
  • Pode ser obtida das carnes, leite, melancia e cereais integrais.
  • Sua deficiência pode resultar em doenças de pele, depressão e até convulsões.
  • O consumo em excesso pode causar problemas nos nervos, comprometer os reflexos e promover a perda da sensibilidade nas mãos e nos pés.
  • Pode ser decomposta pela exposição à luz do sol.
  • Os processos de congelar os vegetais e moer os cereais promove seu desperdício.


B8 (biotina):

  • Também conhecida como vitamina H.
  • Envolvida no metabolismo energético e na síntese de ácidos graxos e purinas (bases nitrogenadas componentes dos nucleotídeos).
  • Pode prevenir a queda de cabelos em alguns homens.
  • Sua deficiência pode promover dores musculares e inflamações na pele. Pode ser obtida das carnes (como o salmão), ovos cozidos, legumes e verduras.
  • É difícil haver carência dessa vitamina, pois pode ser sintetizada por micro-organismos presentes no intestino.
  • Consumir ovos crus pode interferir no metabolismo dessa vitamina.


B9 (ácido fólico):

  • Envolvida na síntese das bases nitrogenadas dos nucleotídios.
  • Necessária para a formação do sangue.
  • Atua no metabolismo dos aminoácidos.
  • Sua deficiência pode promover anemia, esterilidade e más formações congênitas no sistema nervoso central (espinha bífida e anencefalia). Por isso essa vitamina costuma ser prescrita para as gestantes.
  • Atua em conjunto com as vitaminas lipossolúveis (K, A, D e E).
  • O excesso pode estar ligado a uma maior incidência de câncer de colo de útero.
  • Pode ser obtida dos cereais integrais, feijão e alimentos de origem animal (carne de salmão, por exemplo).
  • É importante notar que a radiação UV pode destruir essa substância, portanto, cuidado com o tal do “pegar um solzinho”.
  • A absorção dessa vitamina pode ser reduzida com o consumo de contraceptivos orais, álcool e alguns antiácidos.
  • É uma substância instável (vegetais folhosos podem perder grande parte da atividade dessa vitamina em até três dias).


B12 (cianocobalamina):

  • Envolvida na síntese de nucleotídeos, na maturação das hemácias e das fibras nervosas.
  • Atua no metabolismo dos ácidos nucleicos.
  • Sua deficiência pode promover a anemia perniciosa e distúrbios nervosos.
  • Pode ser obtida das carnes, ovos e leite desnatado.
  • É uma substância instável na presença da luz, oxigênio e meios muito ácidos ou muito alcalinos. Porém, é estável em temperaturas em temperaturas um pouco mais altas.
  • A absorção dessa substância pode ser dificultada caso haja carência de vitamina b6 e ingestão de álcool.

C (ácido ascórbico):

  • É um antioxidante.
  • Mantém a integridade dos vasos sanguíneos, cartilagens, células epiteliais e dos dentes,
  • Envolvida na síntese do colágeno e no processo de cicatrização.
  • Pode ser obtida das frutas cítricas e do mamão formosa.
  • Melhora a absorção do ferro.
  • Acredita-se que pode melhorar a imunidade.
  • Sua deficiência pode promover hemorragias na derme e o escorbuto (condição que envolve a degeneração do tecido conjuntivo, hemorragias na gengiva e perdas de dentes). É a doença dos piratas.
  • A ingestão em excesso pode acelerar a degradação da vitamina B6, fazendo-a ser excretada mais rapidamente.
  • É uma substância que pode ser degradada na presença de luz, oxigênio e calor.
  • As necessidades de vitamina C podem ser aumentadas caso o indivíduo viva em ambientes poluídos, fume e ingira álcool em excesso.


Vitaminas lipossolúveis:

A (retinol):

  • Envolvida no processo da visão (captação de luz, visão noturna e diferenciação de cores), crescimento do organismo e previne infecções.
  • Sua deficiência pode promover a dificuldade de enxergar em ambientes de baixa luminosidade, a chamada cegueira noturna.
  • Necessária para a manutenção da saúde da pele, olhos, dentes, gengivas, cabelos, membranas mucosas e glândulas.
  • Pode ser obtida dos vegetais vermelho-amarelados como a cenoura e o mamão papaia, e também dos ovos e da carne de fígado.
  • Consumir vitamina A em excesso pode causar a chamada hipervitaminose A, condição caracterizada por diversos sintomas, dentre os quais, perda de cabelos, rachaduras nos cantos da boca, dores nos ossos, tonteiras e etc.
  • O lipídio beta-caroteno (um carotenoide) que pode originas moléculas de vitamina A, pode auxiliar no bronzeado.
  • A deficiência de zinco pode limitar o metabolismo dessa vitamina A.


D ("calciferóis"):

  • São as vitaminas D1 - D5.
  • Atuam na absorção do cálcio e do fósforo no intestino.
  • Envolvida nos processo de divisão e diferenciação celulares.
  • Pode ser obtida a partir de ovos cozidos e exposição moderada à luz do sol.
  • A vitamina D é obtida a partir da conversão de colesterol ou esteroides relacionados, No caso da vitamina D3, é graças à atividade de uma enzima fotossensível que converte 7-desidrocolesterol nela. Mas lembre-se: se por um lado pegar um solzinho pode promover a síntese de vitamina D, por outro lado, pode destruir a vitamina B9.
  • A deficiência pode promover deformidades esqueléticas como o raquitismo (enfraquecimento e deformação dos ossos em crianças. Nos adultos, só o enfraquecimento) e a osteomalácia (enfraquecimento e desmineralização dos ossos).
  • O consumo de vitamina D em excesso pode elevar demais os níveis de cálcio no sangue e causar hipervitaminose D, cuja lista de sintomas inclui anorexia, fadiga e vômitos.


E (tocoferóis e tocotrienóis):

  • Também é um antioxidante, então, assim como a vitamina C, pode prevenir que haja dano oxidativo ao material genético.
  • Atua promovendo a fertilidade, age no desenvolvimento dos músculos lisos e esqueléticos e previne o aborto espontâneo.
  • Previne os danos contra as membranas celulares.
  • Envolvida no processo de formação das hemácias.
  • Sua deficiência pode promover a inibição da produção de espermatozoides viáveis e lesões musculares.
  • O excesso no consumo dessa vitamina pode causar a hipervitaminose E, na qual a vitamina irá atuar como anticoagulante, podendo promover hemorragias. Vitamina E em excesso também pode dificultar a absorção da vitamina K.
  • O mamão papaia, o óleo de girassol, o espinafre e o pimentão são boas fontes de vitamina E.
  • O processo de fritura pode degradar grande parte da vitamina E presente nos óleos.
  • Essa substância pode ser decomposta pela exposição à luz, oxigênio e calor. O armazenamento de alimentos em temperatura ambiente por duas semanas pode reduzir o percentual da substância presente nos alimentos em até 50 %.


K (filoquinona):

  • Envolvida no processo de coagulação sanguínea (formação de uma "tampa sólida" de componentes sanguíneos que previne hemorragias e sangramentos diversos).
  • Age na manutenção da resistência dos ossos.
  • Sua deficiência pode promover hemorragias.
  • Pode ser obtida do tomate, castanhas, alface e brócolis.
  • A absorção dessa substância pode ser inibida pela presença de antibióticos.
  • A vitamina K é sensível à luz e às grandes variações de pH nos meios.


Suplementos poliminerais e polivitamínicos

Para finalizar, vejamos um pouco sobre esses suplementos, cujas vendas já chegaram até 76 bilhões de dólares, faturamento mais alto do que o obtido com as vendas de remédios para resfriados e perfumes.

Como já foi mencionado, sabemos que uma alimentação adequada e bem balanceada, na qual se ingere uma variedade de alimentos, não se negligencia os vegetais e se busca preparar pratos coloridos é suficiente para fornecer ao organismo todos os minerais e vitaminas necessários ao seu bom funcionamento. Ou seja, em princípio, não há necessidade de se ingerir suplementos caso a pessoa tenha uma dieta dessas, pois o excesso é eliminado via urina e fezes, ou, dependendo do caso, pode causar efeitos adversos no organismo (alguns já mencionados anteriormente, nas descrições dos elementos e vitaminas).

Em contrapartida, tendo em vista o ritmo de vida apressado das sociedades atuais, muitas vezes é necessário fazer as refeições fora de casa, inclusive almoçando junk food. Nesses casos, infelizmente, o indivíduo pode mesmo apresentar carência nutricional. Inclusive, algumas pessoas podem apresentar o que se chama de deficiência marginal, na qual a carência não chega ao ponto de o indivíduo desenvolver uma doença, porém, é capaz de fazer com que ele apresente cansaço, falta de apetite, mau humor e irritação.

Em uma pesquisa recente realizada no Brasil (em 2007), e interessante, financiada pelo grupo que comercializa do suplemento chamado Centrum, descobriu-se que, no tocante a ingestão de vitaminas em quantidades adequadas:

  • Vitamina A: 50 % não ingerem em quantidades adequadas.
  • Vitamina C: 80 %.
  • Vitamina K: 81 %.
  • Vitaminas D e E: 99%!


Isso serve para mostrar o quanto a alimentação do brasileiro é deficiente/desequilibrada. Também é importante notar que, quem sofre mais com esse tipo de problema é a população de baixa renda, justamente por não ter nem tempo e nem os recursos para comer adequadamente. São esses indivíduos que talvez precisem ingerir suplementos polivitamínicos e poliminerais, porém, sem dinheiro não têm como. Já a população que normalmente usa esses suplementos tende a ser constituída de indivíduos de renda mais alta e melhor instrução, que se preocupa mais em cuidar da saúde. Porém, por conta disso, já tem uma alimentação equilibrada e não precisaria tomar suplementos, o excesso de vitaminas e minerais que ingerem é perdido na urina e fezes.

Veja também:

http://ed.ted.com/lessons/what-s-the-value-of-vitamins-ginnie-trinh-nguyen
(Tem legendas em língua portuguesa).

Referências

Amabis & Martho. Biologia das Células. Moderna. 2004.
Campbell, Reece et al. Biologia. 8ª Ed. Artmed. 2010.
Linhares & Gewandsznajder. Biologia Hoje. Vol. 1. 2ª Ed. Ática. 2014.
http://ods.od.nih.gov/factsheets/list-VitaminsMinerals/
http://www.healthy.net/Health/Article/Chloride/2050
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12204390
https://en.wikipedia.org/wiki/Vitamin_D
https://en.wikipedia.org/wiki/Vitamin_E
https://www.malefertility.md/blog/can-vitamin-e-increase-sperm-count
https://en.wikipedia.org/wiki/Vitamin_K
https://en.wikipedia.org/wiki/Vitamin_A
https://www.thoughtco.com/osmotic-pressure-and-tonicity-3975927
https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/anemia/symptoms-causes/syc-20351360