REINO PLANTAE – DIVERSIDADE E CARACTERÍSTICAS
GERAIS.
O Reino Plantae é constituído pelas plantas, dos
pequenos musgos às grandes sequoias. Acredita-se que sua origem foi a partir
das algas verdes (Reino Protoctista, Filo Chlorophyta), pois também possuem
cloroplastos com clorofilas a e b, e parede celular constituída de celulose.
Filogenia das plantas, mostrando a sua origem.
Imagem: Pinterest.
Características gerais das plantas:
Pluricelulares.
Autótrofos fotossintetizantes (existem
exceções, como o cipó-chumbo, planta parasita).
Cipó chumbo, planta amarela que parasita outras.
Imagem: Pinterest.
Com exceção das briófitas, possuem tecidos
diferenciados, como por exemplo, o xilema e o floema, condutores de seiva.
Possuem um embrião multicelular que se
desenvolve sobre e às custas da planta mãe. Essa é uma das apomorfias
(novidades evolutivas) do grupo, as algas verdes não possuem este tipo de
embrião, portanto não são plantas. Também devido a esta característica, as
plantas podem ser chamadas de embriófitas.
Possuem células contendo plastídios, como o
amiloplasto (armazena amido) e o cloroplasto (responsável pela fotossíntese),
um grande vacúolo e parede celular constituída de celulose.
Acredita-se que as plantas tenham sido os primeiros
organismos a colonizar o ambiente terrestre tornando-o propício para a
posterior colonização por parte dos animais. Todavia, para tal foi necessário
que houvesse o surgimento de uma série de adaptações morfológicas (que as algas
não têm):
Um sistema de absorção de água do solo, e condução
de soluções aquosas (seiva).
Tecidos capazes de impermeabilizar a superfície do
organismo, a fim de evitar a perda de água, e tecidos rígidos de sustentação do
corpo (pois o ar é pouco denso).
Mecanismos de trocas gasosas, a fim de facilitar o
processo de fotossíntese.
De forma geral, as plantas apresentam um ciclo de
vida onde ocorre alternância de gerações caracterizado pela presença de
organismos adultos haplóides (n) e diplóides (2n). Além da
reprodução gamética (sexuada), pode também haver reprodução agamética
(assexuada) via fragmentação, em que pedaços de um organismo podem originar um novo
indivíduo idêntico. Basicamente, a ciclo de vida pode ser resumido da seguinte
forma:
A planta adulta diplóide (2n), o esporófito (planta
que produz esporos), produz esporos (haploides – n) por meiose, em uma
estrutura chamada esporângio.
O esporo (n) é disseminado, germina em um local
apropriado e origina o indivíduo adulto haplóide (n), o gametófito (planta
que produz gametas).
O gametófito produz gametas em estruturas chamadas
gametângios: Os anterídios produzem os gametas masculinos, que podem ser
os anterozoides ou as células espermáticas, dependendo do grupo de plantas. Os
arquegônios produzem os gametas femininos, chamados oosferas.
Na fecundação ocorre a união dos gametas (n),
formando um zigoto (2n).
O zigoto se desenvolve em um novo esporófito.
Imagem mostrando um esquema geral sobre o ciclo de
vida com alternância de gerações das plantas.
Ao longo do tempo, a tendência evolutiva neste
Reino foi a redução progressiva da fase gametofítica em detrimento da
esporofítica, ou seja, a planta adulta diploide, esporófito, domina, no sentido
de ser a planta maior, que vemos normalmente. Veremos ao todo quatro grupos de
plantas, as briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas. As
características mais básicas e gerais destes grupos estão listadas na tabela a
seguir:
|
Grupo
|
Geração Dominante
|
Vasos Condutores*
|
Estruturas Reprodutoras**
|
Possuem Semente?
|
Fruto
|
|
Briófitas
|
Gametofítica
|
Avasculares
|
Criptógamas
|
Não
|
Não
|
|
Pteridófitas
|
Esporofítica
|
Vasculares
|
Criptógamas
|
Não
|
Não
|
|
Gimnospermas
|
Esporofítica
|
Vasculares
|
Fanerógamas
|
Sim
|
Não
|
|
Angiospermas
|
Esporofítica
|
Vasculares
|
Fanerógamas
|
Sim
|
Sim
|
*Estamos nos referindo especificamente ao xilema e
floema, alguns musgos também apresentam um tecido condutor de seiva, o hadrome,
constituído por dois tipos de células, os leptóides, que fazem o papel de
floema e os hidróides, que fazem o papel de xilema.
**Criptógamas: Estruturas reprodutoras pouco
evidentes / Fanerógamas: Estruturas reprodutoras bem visíveis (flores e
pinhas).
Vejamos a seguir os grupos de plantas.
BRIÓFITAS:
Amostra de diversidade das briófitas. Musgo, hepática,
hepática e antócero. Imagem: Botany
317.
Briófitas (grego: bryon-musgo, phyton-planta) são
plantas criptógamas, ou seja, as estruturas reprodutoras são pouco
evidentes. São avasculares, não possuem vasos condutores de seiva, o transporte
de substâncias se dá por difusão entre as células e é um processo lento, o que
limita seu tamanho (as briófitas são plantas de porte pequeno). As briófitas
mais conhecidas são os musgos, as hepáticas e os antóceros.
Seu ciclo de vida apresenta nítida alternância de
gerações, onde a geração gametofítica (n) é dominante em relação à geração
esporofítica (2n). O gametófito é o vegetal duradouro e fotossintetizante. Os
musgos que você vê são os gametófitos, possuidores de anterídios e arquegônios.
Cada anterídio produz vários anterozóides que, na presença de água, nadam
até o arquegônio para fecundar a oosfera (cada arquegônio produz uma oosfera),
e originar um zigoto (2n). A presença de água é fundamental para que ocorra a
fecundação, pois promove o rompimento da parede dos anterídios e permite que os
anterozóides, flagelados, nadem até a oosfera, guiados por substâncias químicas
dissolvidas na água. Haja vista a necessidade de água para que ocorra a
fecundação, as briófitas são geralmente encontradas em ambientes terrestres
úmidos e sombreados.
Estrutura de um musgo, um bom representante das
briófitas. O esporófito se desenvolve sobre o gametófito e nem sempre pode ser
visto. Imagem: clutchprep.com.
O zigoto se desenvolve num esporófito (2n), que
cresce sobre o gametófito (n) e é dependente dele (total ou parcialmente). No
ápice do esporófito encontra-se um esporângio, chamado cápsula, que é o local
de produção dos esporos (n), todos iguais (essas plantas são isosporadas). A
cápsula pode conter restos do arquegônio, que conferem proteção (caliptra). Ao
germinar, o esporo pode se desenvolver e originar diretamente o gametófito, ou
no caso dos musgos, pode inicialmente originar uma estrutura filamentosa
chamada protonema, que pode dar origem a vários gametófitos, a partir de gemas
(reprodução agamética via fragmentação). Além de produzirem os anterídios e
arquegônios, no caso das hepáticas, os gametófitos podem também produzir
estruturas denominadas conceptáculos, estes produzem gemas (propágulos), que
também podem originar outros indivíduos.
Ciclo de vida de um musgo.
As briófitas são classificadas em três Filos:
Bryophyta: os musgos, com gametófito organizado em
rizóides, caulóide e filóides.
Hepatophyta: as hepáticas, com gametófito
prostrado, onde não ocorre a diferenciação entre filóides e caulóides.
Anthocerophyta: os antóceros (raros).
Importância das Briófitas:
As briófitas são organismos pioneiros em
uma sucessão ecológica, podem se desenvolver em rochas e os produtos
resultantes de sua atividade biológica modificam este substrato de forma a
permitir que outras espécies também possam se desenvolver nele. Dependendo do
ambiente, a quantidade de carbono que estas plantas absorvem pode influenciar
grandemente o ciclo biogeoquímico deste elemento. São também plantas bastante
sensíveis à poluição atmosférica, sendo assim podem ser indicadoras de
áreas muito poluídas, quando nestes locais a quantidade de briófitas é bastante
reduzida. Musgos do gênero Sphagnum, os musgos de turfeira,
são importantes na agricultura, pois auxiliam na retenção de água pelo solo,
além de melhorarem sua textura. A turfa é composta de depósitos destes musgos e
plantas associadas. Pode ser comprimida, seca e queimada como combustível. Além
disso, a fumaça proveniente de sua queima influencia o sabor de uísques
escoceses.
PTERIDÓFITAS
Uma samambaia qualquer, um bom representante das
pteridófitas. Imagem de autoria desconhecida.
As pteridófitas, assim como as briófitas, são
plantas criptógamas. Foram as primeiras plantas vasculares, ou seja, a apresentam
vasos condutores de seiva (xilema e floema), sendo que isto proporciona a elas
reporem as perdas de água de forma mais eficaz, e atingirem maiores
comprimentos, inclusive podendo apresentar porte arbóreo, como a samambaiaçu. Apresentam raízes, caules e
folhas verdadeiros. As pteridófitas mais comuns são as samambaias, avencas,
cavalinhas e selaginelas.
Apresentam ciclo de vida com alternância de
gerações, sendo que neste caso (e nos grupos de plantas seguintes) a geração esporofítica
(2n) é dominante em relação a gametofítica (n). O esporófito é autótrofo e
possui esporângios, as estruturas produtoras de esporos (n).
O ciclo de vida de uma samambaia.
O gametófito, também chamado prótalo, é autótrofo,
apresenta estrutura laminar, e tamanho reduzido (~1 cm). Produz em sua face
inferior os gametângios: os arquegônios e os anterídios. Cada arquegônio produz
uma oosfera (n), enquanto cada anterídio produz vários anterozoides (n), que
podem fecundar a oosfera e originar o zigoto (2n). As pteridófitas, assim como
as briófitas também necessitam de água para que ocorra a fecundação, e devido a
este fato, também são geralmente encontradas em ambientes úmidos e sombreados.
Algumas são aquáticas (gêneros Salvinia e Azolia),
mas não existem representantes marinhos. O zigoto se desenvolve e origina o
esporófito. Este depende do gametófito apenas no início de seu desenvolvimento,
em que se encontra associado a ele.
As pteridófitas são classificadas em 4 Filos:
Pterophyta: Samambaias e Avencas.
Psilotophyta: Psilotum.
Lycophyta: Licopódios e Selaginelas.
Sphenophyta: Cavalinhas.
Também se pode dividir as pteridófitas em dois
grupos, no que diz respeito aos esporos:
Isosporadas (ex: samambaias), que assim como
as briófitas só produzem um tipo de esporo, que se desenvolve em um gametófito monoico;
Heterosporadas (ex: selaginelas), que
produzem micrósporos (masculinos) e megásporos ou macrósporos (femininos).
Os microsporângios produzem numerosos micrósporos,
que ao se desenvolverem irão originar gametófitos masculinos, enquanto os
megasporângios produzem 4 grandes esporos que irão se desenvolver em
gametófitos femininos. A Selaginela é uma pteridófita heterosporada, e é
interessante notar que, como os gametófitos desenvolvem-se no interior das
paredes dos esporos e o embrião é nutrido por reservas nutritivas provenientes
do megagametófito, acredita-se que este conjunto seja o precursor evolutivo das
sementes.
Importância das Pteridófitas:
São amplamente utilizadas como plantas ornamentais,
sendo que inclusive, o caule da samambaiaçu serve para se fazer xaxim. Os
atuais depósitos de carvão mineral (hulha), um importante combustível, foram
formados a partir da fossilização de pteridófitas de porte arbóreo, de
aproximadamente 375-290 milhões de anos atrás. Algumas podem ser utilizadas na
fabricação de alimentos e medicamentos.
GIMNOSPERMAS:
Os pinheiros são as plantas mais conhecidas dentre
as gimnospermas.
As gimnospermas são plantas de porte arbóreo,
climas temperados, e vasculares (ou traqueófitas) pois apresentam vasos
condutores de seiva. Ao contrário das briófitas e pteridófitas (criptógamas),
formam estróbilos ou pinhas, as estruturas reprodutoras que abrigam os
esporângios (são as “flores” das gimnospermas), sendo então classificadas
como fanerógamas, por terem as estruturas reprodutoras evidentes. Estas
plantas possuem sementes, todavia, não formam frutos: gimnosperma
significa semente nua (mas têm casca). Dentre as gimnospermas
mais conhecidas estão os pinheiros, o pinheiro-do-paraná (Araucaria
angustifólia), e as sequoias, que estão dentre as maiores árvores
conhecidas atualmente. Além disso, uma gimnosperma apelidada de Matusalém provavelmente
é o ser vivo mais velho do planeta, com aproximadamente 4800 anos de idade.
Seu ciclo de vida apresenta alternância de gerações
pouco nítida, com o gametófito (n) bastante reduzido.
Ciclo de vida de um pinheiro.
Os estróbilos são unissexuados, sendo o masculino
denominado microestróbilo (2n) e o feminino macroestróbilo (2n). São ambos
formados por um eixo de onde partem folhas modificadas responsáveis pela
formação dos microsporângios (2n) e macrosporângios (2n), chamadas folhas
carpelares, os microesporófilos (2n) e macroesporófilos (2n).
Dentro dos microsporângios, as células mães de
esporos produzem por meiose os micrósporos, estes por sua vez originam os
grãos de pólen (n), que são os gametófitos masculinos (microprótalos) imaturos.
Cada grão de pólen contém uma célula geradora, que será a responsável pela
produção dos gametas masculinos, as células espermáticas, e uma célula do
tubo (ou vegetativa), responsável pela formação do tubo polínico. A célula
geradora seria algo como um gametângio masculino.
O óvulo é constituído pelo megasporângio (nucela)
mais o tegumento que o recobre. Uma grande célula mãe de esporos localizada no
megasporângio sofre meiose e origina 4 células (n), sendo que 3 degeneram e uma
delas forma o megásporo (n), este por sua vez se desenvolve em gametófito
feminino, o megagametófito, contendo arquegônios (gametângios femininos), que
produzem os gametas femininos, as oosferas.
Denomina-se polinização o processo pelo qual os
grãos de pólen são transportados até a abertura do óvulo (micrópila). Transportados
pelo vento até a câmara polínica e em contato com os óvulos, os grãos de pólen
germinam iniciando seu desenvolvimento em microgametófitos maduros com a
formação do tubo polínico. A polinização mediada pelo vento se chama anemofilia.
Na medida em que o tubo polínico se
desenvolve, a célula geradora se divide e origina dois núcleos espermáticos,
sendo eles os gametas masculinos. Ao atingir o arquegônio, um dos gametas
masculinos fecunda a oosfera e origina o zigoto (2n) (o outro degenera). Ao contrário
das briófitas e pteridófitas, onde a fecundação ocorre por oogamia, processo em
que anterozoides flagelados se deslocam em meio aquoso até a oosfera, a
fecundação das gimnospermas geralmente se dá da forma descrita acima, a
sifonogamia, em que os gametas masculinos atingem a oosfera a partir do
crescimento do tubo polínico. Esta forma de fecundação não necessita da
presença de água para ocorrer. Observação: as Cicadáceas e as Gincófitas ainda
dependem da água para a fecundação.
O zigoto se desenvolve e origina o embrião, e o
óvulo se desenvolve formando a semente, constituída pelo tegumento (2n) do
óvulo, e pelo corpo do gametófito feminino (n) convertido em um tecido que
armazena substâncias nutritivas. Graças a este tecido nutritivo, algumas sementes
de gimnospermas (pinhões) são comestíveis.
As gimnospermas são classificadas mais comumente em
4 Filos:
Coniferophyta: pinheiros, sequóia, araucária.
Cycadophyta: cicas (ornamentais).
Gnetophyta: efedra.
Ginkgophyta: com somente uma espécie, a Ginkgo
biloba.
Importância das gimnospermas:
Este grupo é importante para a indústria madeireira
e da celulose (produção de papel), inclusive, a araucária é uma espécie em
risco de extinção graças à exploração excessiva (a madeira da araucária é
resistente às águas das chuvas).
A semente do pinheiro-do-paraná (araucária),
o pinhão, é utilizada na alimentação humana e animal. A gnetácea Welwitschia
mirabilis também tem sua semente utilizada como alimento no deserto de
kalahari, na África.
Da Gnetophyta efedra extrai-se a substância denominada
efedrina, um estimulante do Sistema Nervoso Central, e também é utilizada como
descongestionante nasal no tratamento de pessoas asmáticas.
Como já mencionado, acredita-se que o chá das
folhas da Ginkgo biloba atue no sentido de favorecer a
irrigação cerebral e estimular
a memória.
As gimnospermas também são utilizadas na
ornamentação, neste caso, principalmente as cicas.
ANGIOSPERMAS:
Uma laranjeira (Citrus sinensis) com flores e
frutos. Imagem: garden.eco
As angiospermas são as verdadeiras plantas
superiores. São o grupo vegetal atual mais representativo e com a maior
diversidade morfológica, variando de ervas a árvores, além de serem também o
grupo com a maior distribuição geográfica e de ambientes, inclusive existem
algumas espécies marinhas. São fanerógamas que além de produzirem flores,
também produzem os frutos, que conferem proteção às sementes além de auxiliarem
na sua dispersão (angios – urna, caixa).
Antes de se entrar em detalhes sobre o ciclo de
vida destas plantas, deve-se inicialmente analisar a estrutura das flores e
frutos.
A flor é constituída por uma haste que termina em
um pedúnculo, este por sua vez, apresenta uma extremidade dilatada (receptáculo
floral), que sustenta um conjunto de folhas especializadas com funções
relacionadas à reprodução, os verticilos florais. Denomina-se verticilo
floral um conjunto de folhas especializadas do mesmo tipo.
Estrutura básica de uma flor. Imagem modificada de:
ScienceFacts.net.
Os elementos florais e o nome dos verticilos que
eles constituem são listados a seguir:
Estames e Carpelos são os
esporófilos, as folhas que abrigam os esporângios:
Estames: são microsporófilos formados pelo filete,
uma haste que sustenta uma estrutura chamada antera, que por sua vez
abriga microsporângios denominados sacos polínicos. A antera é unida ao
filete por um tecido denominado conectivo. Ao conjunto de estames dá-se o
nome de androceu.
Carpelos: são macroesporófilos formados pelo ovário,
a base larga que abriga os macrosporângios, os óvulos, um estilete, porção
alongada que serve de substrato para o crescimento do tubo polínico, e a porção
dilatada do estilete, chamada estigma (onde os grãos de pólen se aderem).
Ao conjunto de carpelos dá-se o nome gineceu. Os carpelos (ou o único
carpelo) forma uma estrutura denominada pistilo, que recebe este nome por ser
semelhante à uma mão de pilão.
Pétalas e sépalas constituem o
perianto:
Sépalas: folhas verdes, estéreis, com função de
proteção de outros verticilos. Constituem o cálice.
Pétalas: folhas geralmente de coloração diferente
do verde, devido à presença de pigmentos. As cores das pétalas, assim como a
presença de substâncias produzidas por elas, como o néctar, têm o objetivo
de tornar a flor mais atrativa aos agentes polinizadores, como insetos, aves e
morcegos. As pétalas constituem a corola.
Caso as pétalas sejam iguais às sépalas de forma
que não se pode diferenciá-las, o perianto passa a ser chamado perigônio, e as
pétalas e sépalas passam a ser chamadas tépalas. Além das sépalas, pode haver a
presença de uma outra folha modificada com a função de proteção da flor ou de
uma inflorescência, a bráctea (a palha da espiga de milho é uma bráctea).
O fruto é proveniente do desenvolvimento do ovário
após a fecundação. É constituído pela semente (proveniente do
desenvolvimento do óvulo) mais um conjunto de três camadas que a recobrem,
denominado pericarpo e proveniente da parede do ovário. O pericarpo é
constituído de três camadas, de fora para dentro: Epicarpo, Mesocarpo
(geralmente é a porção comestível dos frutos) e Endocarpo.
Estrutura de um fruto.
Denomina-se fruto carnoso, aquele cujo pericarpo
armazena substâncias nutritivas de reserva e fruto seco o caso contrário. O
fruto carnoso constitui um mecanismo de dispersão das sementes servindo de
alimento aos animais, que disseminam as sementes a partir das fezes. Além deste
caso, existem também frutos com espinhos que se grudam ao corpo de animais e
frutos alados, cujo meio de dispersão é o vento.
Sobre o ciclo de vida das angiospermas, o
esporófito é o vegetal dominante, duradouro e fotossintetizante, enquanto o
gametófito, assim como no caso das gimnospermas, é bastante reduzido, se
desenvolve associado ao esporófito e é dependente dele. As angiospermas, assim
como as gimnospermas, também apresentam heterosporia e a fecundação se dá por
sifonogamia.
Ciclo de vida das angiospermas.
Os microesporângios (sacos polínicos) localizam-se
no interior das anteras, onde as células mães de esporos (2n) originam
micrósporos (n) por meiose. Os micrósporos se desenvolvem em grãos de pólen
(n), os microgametófitos. Estes grãos de pólen também possuem uma célula do
tubo, que origina o tubo polínico, e uma célula geradora, que origina as
células espermáticas (gametas masculinos).
No interior do ovário, tem-se os óvulos,
constituídos pelo megasporângio (2n), e o tegumento que o recobre. Dentro do
megasporângio há uma célula mãe de esporos que sofre meiose e origina quatro
megásporos (n), sendo que três degeneram e um permanece como o megásporo fértil
e funcional. Este megásporo germina e origina o megagametófito também chamado
saco embrionário, contendo um conjunto de 7 células (e 8 núcleos):
Três células próximas à micrópila (abertura do
óvulo): uma oosfera (gameta feminino) no meio de duas sinérgides.
Uma célula grande e central, contendo dois núcleos
polares. Esta célula também será fecundada, originará um tecido triplóide (3n),
com função de reserva nutritiva para o embrião, o endosperma. (Lembre-se de que
o megagametófito das gimnospermas também origina um tecido de reserva
nutritiva, mas naquele caso, o tecido é haplóide e não é sinônimo de
endosperma).
Três células distantes da micrópila (no extremo
oposto), denominadas antípodas.
Estruturas dos megasporângios. Imagens:
plantlet.org e digitalatlasofancientlife.org.
A polinização precede a fecundação. As anteras se
rompem e o grão de pólen é transportado até o estigma, onde a partir daí
germina. Caso o grão de pólen caia no estigma da própria flor, a polinização é direta,
caso caia no estigma de uma flor distinta, é cruzada. Esta pode ser mediada por
diversos agentes, como por exemplo: insetos (entomofilia), vento
(anemofilia), pássaros (ornitofilia) e morcegos (quiropterofilia).
Quando o grão de pólen cai sobre o estigma, germina
e forma o tubo polínico, que cresce ao longo do estilete em direção ao óvulo.
Ao contrário da fecundação das gimnospermas, nas angiospermas ocorre uma dupla
fecundação, onde o 1º núcleo espermático fecunda a oosfera e forma o zigoto
(2n), e o 2º núcleo espermático fecunda a célula central (que contém os dois
núcleos polares) e a célula resultante (3n) originará por mitose o endosperma
(tecido de reserva nutritiva). A partir daí, o óvulo se desenvolve originando
a semente, o zigoto origina o embrião, e o ovário origina o fruto.
As angiospermas são classificadas em apenas um
Filo: Magnoliophyta. Além disso, podem também ser subdivididas de acordo
com o número de cotilédones que possuem. Os cotilédones são folhas
especializadas dos embriões, cuja função é nutri-los transferindo substâncias
acumuladas diretamente para o embrião ou transferindo para o embrião os
nutrientes do endosperma (3n). De acordo com esse critério, pode-se dividir as
angiospermas em:
Monocotiledôneas, cujo embrião contém apenas um
cotilédone.
Dicotiledôneas, cujos embriões contêm dois
cotilédones:
Dicotiledôneas basais.
Eudicotiledôneas.
(As gimnospermas geralmente possuem dois ou mais
cotilédones.)
Comparativo entre as dicotiledôneas e as
monocotiledôneas.
Importância das Angiospermas:
Como já visto anteriormente elas são o grupo
vegetal mais diverso e representativo. Sendo assim, são muito importantes para a
humanidade em diversos aspectos, como alguns exemplos temos: a agricultura (são
os principais componentes da dieta dos seres humanos), medicina (plantas
medicinais), economia (indústria madeireira e de celulose) e ornamentação. Têm
também papel fundamental na reciclagem do O2 e CO2 atmosféricos
e regulação climática (as grandes florestas seriam grandes aparelhos
de ar-condicionado) e por serem autótrofas fotossintéticas ocupam o primeiro
nível trófico nos ecossistemas.
Referências:
Livros de biologia do ensino médio da Sônia Lopes e
Amabis, várias entradas sobre o assunto na Wikipedia e Britannica e nos links
das imagens.
https://edisciplinas.usp.br/mod/book/view.php?id=2434060&chapterid=19900