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domingo, agosto 26, 2012

Doenças sexualmente transmissíveis


RESUMO SOBRE ALGUMAS DAS PRINCIPAIS DSTs
Maximiliano Mendes (2012)

DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS: são aquelas que podem ser adquiridas a partir das relações sexuais, tanto pelo fato de poder haver contato direto entre os órgãos genitais, caso não se utilize preservativos, quanto pela possibilidade de o ato sexual, devido ao atrito, causar lesões nos órgãos genitais, o que por sua vez pode permitir a “troca” de fluídos corporais contaminados. São causadas por agentes como bactérias, vírus, fungos e protozoários capazes de infectar os órgãos genitais (pênis, vagina, útero, tubas uterinas, ovários...), órgãos do sistema urinário como a uretra, e outros, como a faringe, ânus e etc. Nesses últimos casos, as infecções podem ser resultantes da prática do sexo anal e oral (e sabe-se lá o que mais se faz por aí...).

Algumas dessas doenças podem ser transmitidas da mãe para o filho durante a gestação, parto ou amamentação (transmissão perinatal). Dá-se o nome de período perinatal àquele compreendido da 20ª–28ª semana de gestação até as quatro primeiras semanas após o nascimento[i]. Também se sabe que a presença de um agente causador de DST no organismo é capaz de aumentar a susceptibilidade a outras, por conta de lesões e inflamações causadas: abrem-se as portas do organismo para a entrada e a saída de outros patógenos[ii].

Outra forma de transmissão é através das transfusões de sangue, caso seja utilizado sangue contaminado no procedimento.

Veremos a seguir um resumo breve sobre algumas das doenças sexualmente transmissíveis que, de acordo com dados do Departamento de DST, AIDS e Hepatites virais do Ministério da Saúde são as mais comuns no Brasil[iii],[iv].

DOENÇAS CAUSADAS POR BACTÉRIAS:

Linfogranuloma venéreo[v]:

Causador: Chlamydia trachomatis.

Sintomas: alguns deles são a ardência ao urinar, corrimentos[vi], dores nos testículos e no baixo ventre feminino e sangramentos fora da época da menstruação ou durante as relações sexuais (para as mulheres). Também é possível estar contaminado e não apresentar sintomas, e, assim, transmitir a doença sem saber quando se pratica relações sem preservativos.

Os corrimentos vaginais, também chamados de leucorréias[vii], são secreções resultantes da inflamação dos tecidos da vagina. Essa secreção pode vir em grandes quantidades ou apresentar odor forte.

Tratamento: feito com antibióticos específicos, visto que é uma doença causada por bactérias.

Pode haver transmissão perinatal, causando oftalmia neonatal, um tipo de conjuntivite que pode levar a cegueira. Essa doença pode ser prevenida com a aplicação de um colírio, aplicado na primeira hora após o nascimento.



Gonorréia[viii]:

Causador: Neisseria gonorrhoaea.

Sintomas: bastante similares aos sintomas do linfogranuloma e também podem causar oftalmia neonatal.

Tratamento: feito com antibióticos específicos. É bom destacar que, ao longo do tempo, as populações de micro-organismos acabam adquirindo resistência e os antibióticos se tornam ineficazes. Aparentemente, nos EUA, as linhagens de N. gonorrhoaea adquiriram resistência contra os antibióticos mais comumente utilizados no tratamento[ix].



*Doença inflamatória pélvica - DIP[x]:

Causador: bactérias, como as da gonorréia e a clamídia. Essas bactérias, às vezes, podem infectar os órgãos genitais internos das mulheres, como os ovários, causando dores e inflamações.

Sintomas: dores nas partes baixas do abdome, dores durante as relações sexuais, dores nas costas, secreções vaginais, febres, fadiga, vômitos e etc.

Sífilis[xi],[xii]:

Causador: Treponema pallidum. A infecção ocorre em três estágios, sendo que os sintomas se manifestam principalmente nas duas primeiras. Isso pode fazer com que na terceira etapa, que pode ser assintomática, o indivíduo tenha a falsa impressão de que não tem mais a doença. A infecção pode também ser congênita (quando é transmitida das mães para os fetos) e pode causar más-formações.

Sintomas: Na primeira etapa surgem feridas nos órgãos genitais e inchaços nos linfonodos (ínguas) da virilha. Também podem surgir feridas na boca. Essas feridas nos órgãos genitais são chamadas de cancros, têm formato arredondado e firme, não doem, não ardem, não coçam e delas não vaza pus. Posteriormente, na segunda etapa, se a doença não for tratada, podem surgir manchas em várias partes do corpo, como as mãos e pés, e queda de cabelos. Nos estágios mais avançados (terceira etapa), a doença pode causar cegueira, demência e, dentre outros problemas graves, até levar à morte.

Tratamento: antibióticos.



DOENÇAS CAUSADAS POR VÍRUS:

Condiloma acuminado (HPV)[xiii],[xiv],[xv]:

Causador: Papilomavirus humano (HPV). É a DST mais comum do mundo, há mais de 100 tipos de HPV e vários podem infectar os órgãos genitais, a garganta e o ânus. Acredita-se que, nos EUA, aproximadamente 50 % dos adultos sexualmente ativos será contaminado por algum tipo de HPV em algum ponto de sua vida. Também é bom notar que as verrugas comuns de pele também são causadas por HPVs[xvi].

Sintomas: Muitas vezes, os portadores do vírus não apresentam sintomas ou quaisquer problemas de saúde, e, por isso, nem mesmo sabem que têm a doença. Porém, em 90 % dos casos, acredita-se que o próprio sistema imunitário seja capaz de eliminar o vírus, em aproximadamente dois anos.

Alguns dos principais sintomas da infecção, quando presentes, são as verrugas nos órgãos genitais e o câncer de colo de útero. É importante destacar que os tipos de vírus causadores do câncer de colo de útero são distintos daqueles causadores das verrugas. Também é importante notar que essas verrugas podem surgir semanas ou até mesmo meses após a contaminação, ao passo que o câncer pode se desenvolver anos após a contaminação.

Uma complicação grave decorrente do câncer de colo de útero, é que seus efeitos e sintomas só passam a ser visíveis após um período de tempo considerável, quando o câncer já se encontra em estágio avançado. Por isso, é necessário que as mulheres façam exames regulares.

Tratamento: não existe tratamento para se eliminar o vírus (espera-se que o sistema imunitário faça isso), porém, pode se tratar alguns dos sintomas da infecção, por exemplo, podem-se remover as verrugas (que inclusive podem desaparecer naturalmente) e se pode diagnosticar o câncer cedo, com testes como o Papanicolau, para que seja mais fácil tratá-lo. Basicamente, o teste de Papanicolau tem o objetivo de detectar alterações celulares no colo uterino, que poderão se tornar cânceres, caso não sejam tratados adequadamente.

Atualmente já existem vacinas contra o HPV, que devem ser administradas em três doses, preferencialmente antes de o indivíduo começar a praticar relações sexuais (claro né). Entretanto, os efeitos das vacinas só poderão ser avaliados com maior confiabilidade daqui a alguns anos (quanto tempo o indivíduo permanece imunizado, qual é a eficiência e etc.).



Herpes genital[xvii],[xviii]:

Causador: HSV – Herpes simplex vírus.

Sintomas: bolhas que se rompem e geram feridas nos órgãos genitais. Normalmente essas feridas somem, mas podem reaparecer de tempos em tempos caso o indivíduo seja exposto a algum fator capaz de diminuir sua imunidade (exposição ao sol, esforço exagerado, estresse e ansiedade, uso prolongado de antibióticos e outros).

Tratamento: sem cura definitiva, mas se tenta tratar as feridas.



AIDS – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida[xix],[xx]:

Causador: HIV – Vírus da imunodeficiência humana. Infecta alguns tipos celulares em nosso organismo, como macrófagos[xxi] e células dendríticas[xxii], porém, o tipo celular mais importante associado com a infecção pelo HIV é o linfócito T CD4+. Essas células pertencentes ao sistema imunitário atuam coordenando as respostas imunitárias (são os “generais” do sistema imune).

O processo de infecção pelo HIV pode demorar anos, sendo que a fase de AIDS é a final, na qual a quantidade de LTCD4+ chega a menos de 200 por mm3 de sangue, ao passo que a quantidade normal, encontrada em um indivíduo saudável, é de 800 – 1200 por mm3 de sangue. Se não há LTCD4+ em quantidades suficientes, não há respostas imunes e o indivíduo fica suscetível às infecções, inclusive infecções que normalmente não ocorreriam caso o indivíduo não estivesse com a imunidade comprometida, ou que não seriam capazes de causar grandes danos ao organismo: são as chamadas infecções oportunistas.

Sintomas: vários. Além da deficiência do sistema imunitário, há também o inchaço dos nódulos linfáticos e tumores de pele chamados sarcomas de Kaposi. Os nódulos linfáticos são locais onde há várias células do sistema imune, que ao entrarem em contato com patógenos, se multiplicam, podendo provocar o inchaço desses nódulos.

Tratamento: não há cura. Tenta-se controlar a infecção com o uso de coquetéis de drogas antivirais[xxiii].

Alguns indivíduos têm grande resistência contra a infecção pelo HIV, e em resumo, as causas principais podem ser mutações nas proteínas celulares que são reconhecidas pelas proteínas do HIV, impedindo ou dificultando a fase de ligação[xxiv].

Mais uma curiosidade é a seguinte: de acordo com dados recentes do ministério da saúde, somente 21 % dos brasileiros utilizam camisinha, ao passo que o percentual para os países ricos é de 31 %[xxv]. Pelo visto, na hora que o negócio esquenta, a racionalidade evapora!


Hepatite B[xxvi],[xxvii],[xxviii]:

Causador: HBV – Vírus da hepatite B, que pode ser encontrado no sangue, leite materno e esperma. Por isso, a hepatite B é considerada uma DST. Basicamente, hepatites são inflamações no fígado, que podem se tornar crônicas e até mesmo levar ao surgimento de cirrose e tumores. Porém, na maioria dos casos os indivíduos acometidos não apresentam sintomas.

Sintomas: febres, vômitos, icterícia (pele e olhos amarelados), urina mais escura e fezes claras.

Tratamento: feito com medicamentos específicos, sendo importante destacar que, durante o período de tratamento o indivíduo não deve consumir bebidas alcoólicas. No que tange à prevenção, há vacina contra o HBV, que deve ser tomada em três doses.




[vi] Acho esse termo vago e difícil definir o que é, mas se Deus quiser, um dia descubro.
[xxi] Carter CA & Ehrlich LS. Cell Biology of HIV-1 Infection of Macrophages. Annual Review of Microbiology. Vol. 62. pp: 425 – 443. 2008.
[xxii] Wu L & KewalRamani VN. Dendritic-cell interactions with HIV: infection and viral dissemination. Nat Rev. Immunol. Vol. 6(11). pp: 859 – 868. 2006.
[xxv] Lopes AD. Revista Veja. Nº 2174. p. 110.
[xxviii] http://www.cdc.gov/hepatitis/HBV/index.htm

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