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segunda-feira, fevereiro 16, 2026

SISTEMA DIGESTÓRIO

SISTEMA DIGESTÓRIO

 

É o conjunto de órgãos e estruturas responsável por captar o alimento, digerir as substâncias, gerar a partir dessa digestão as substâncias absorvíveis, que são os nutrientes e eliminar o material que não foi absorvido na forma de fezes.

 



 

Vejamos o básico sobre o que ocorre em cada porção do aparelho digestório:

 

1. Boca à Faringe à Esôfago:



Local onde a digestão mecânica, o ato de triturar e misturar o alimento, prevalece sobre a digestão química. A digestão mecânica é realizada principalmente pelos dentes e pela língua durante a mastigação. Além de auxiliar a mastigação, a língua também atua no sentido do paladar, por conter as papilas gustativas, que percebem os sabores, e na deglutição, o ato de engolir o alimento.



Há também a digestão química, pois as glândulas salivares secretam a enzima amilase salivar (ou ptialina), capaz de quebrar/digerir o amido e o glicogênio em unidades de maltose. Normalmente para o ensino médio só se destaca a amilase salivar na boca, porém, há outras enzimas na saliva, citando dois exemplos:

 

  • Lisozima: quebra as paredes celulares de bactérias, dificultando a proliferação de micro-organismos que podem ser indesejáveis.
  • Lipase lingual: mais importante para os lactentes. Ajuda os bebês a digerirem os triglicerídeos componentes do leite materno. É secretada pela própria língua.

 

A digestão química na boca ocorre em pH próximo ao neutro ~6,2-7,6.

 

O alimento engolido passa da boca à faringe, porção compartilhada com o sistema respiratório, e de lá segue para o esôfago. É bom lembrar que, normalmente o bolo alimentar não adentra a laringe, pois a abertura da laringe, chamada glote, tem uma tampa cartilaginosa, a epiglote, que a fecha quando o alimento é engolido. Às vezes o mecanismo falha e nós engasgamos.


 



Do esôfago, um tubo de aproximadamente 25 cm em humanos adultos, o bolo alimentar será transportado para o estômago por ondas de contrações rítmicas na musculatura lisa que envolve o tubo digestório, o chamado peristaltismo. Além de impulsionar o alimento adiante no tubo digestório o peristaltismo também promove a digestão mecânica. Consideramos que a faringe e o esôfago não produzam enzimas digestórias.

 

2. Estômago:

 

O estômago é um órgão em forma de saco localizado na cavidade abdominal. A partir dele predomina a digestão química, apesar de que, por conta dos movimentos da musculatura do aparelho digestório, também há digestão mecânica.

O tecido epitelial que reveste o interior do estômago têm glândulas, nesse caso as glândulas fúndicas, que secretam a maior parte do suco gástrico. Esse suco gástrico contém ácido clorídrico (HCl) e o precursor da principal enzima estomacal, o pepsinogênio.




 

As funções do ácido clorídrico são as de tornar o meio bastante ácido, com o pH ~1,8-2,0. Esse meio ácido, além de eliminar vários micro-organismos potencialmente patogênicos, também permite a conversão do pepsinogênio na sua forma enzimaticamente ativa, a pepsina, que é uma enzima que digere proteínas e gera como produtos principais uma série de peptídeos. O meio ácido também favorece a digestão química ao desnaturar as proteínas e facilitar a ação da pepsina.




 

As glândulas estomacais também produzem um muco, constituído, dentre outras coisas, por glicoproteínas (mucinas) e íons bicarbonato (HCO3-). Esse muco atua protegendo o epitélio de revestimento do estômago contra a ação da própria pepsina e da acidez do suco gástrico.

 

HCO3- + HCl à H2CO3 + Cl-

H2CO3 à H2O + CO2.

 

Além da digestão de proteínas, no estômago também ocorre a absorção de água, sais e de alguns medicamentos, como a aspirina (ácido acetilsalicílico).

 

Exemplos de hormônios produzidos pelo estômago:

 

  • Gastrina: estimula a secreção de HCl e a renovação da mucosa gástrica, liberada em resposta à presença de proteínas no estômago, à distensão estomacal e à estimulação via nervo vagal (por exemplo, só de ver e sentir o cheiro da comida quando se está com fome).
  • Grelina: gera a sensação de fome quando o estômago está vazio.
  • Somatostatina: inibe a secreção de suco gástrico e gastrina quando o pH da solução estomacal está abaixo de 3,0, a fim de prevenir um excesso de acidez e possíveis danos.



O bolo alimentar permanece de 2-4h no estômago e então constituirá uma massa chamada quimo ácido.

 

3. Intestino Delgado: é onde ocorre a maior parte da digestão e também da absorção dos nutrientes.

 

No intestino delgado ocorre a digestão química em meio alcalino de vários tipos de substâncias e também é o local onde a digestão termina e os nutrientes são gerados e absorvidos. Ele é dividido em três porções: o duodeno, o jejuno e o íleo.



Há três secreções que atuam no intestino delgado: o suco pancreático, a bile e o suco entérico.

 


A bile é uma secreção produzida pelo fígado e armazenada na vesícula biliar. Essa secreção atua como um detergente, fragmentando gotas de lipídeos a fim de auxiliar a digestão dessas substâncias, que são hidrofóbicas. Essa fragmentação aumenta a área de superfície para a ação das lipases, as enzimas que os digerem. É importante destacar que a bile não contém enzimas nem ação enzimática.

 

O suco pancreático é uma secreção produzida pelas glândulas exócrinas do pâncreas. Contém várias enzimas digestórias para atuar, basicamente sobre todos os tipos de substâncias orgânicas a serem digeridas. Dentre as enzimas constituintes, podemos destacar: 

 

  • Amilase pancreática: digere amido.
  • Tripsina e quimotripsina: digerem proteínas. Essas duas enzimas são proteinases que, assim como a pepsina, também são liberadas na forma de precursores inativos, o tripsinogênio e o quimotripsinogênio. O tripsinogênio é convertido em tripsina graças a ação da enzima enteropeptidase, produzida pelo intestino delgado. A tripsina converte mais tripsinogênio em tripsina e a tripsina converte o quimotripsinogênio em quimotripsina. Há também outras proteinases, como as carboxipeptidases A e B e a elastase.
  • Lipases: lipase pancreática, colipase, fosfolipase A2 e esterase de colesterol. São enzimas que digerem os lipídeos.
  • Nucleases: digerem ácidos nucleicos.

 

Essas enzimas do suco pancreático atuam em meio alcalino: a faixa de pH ótima para elas é alcalino. Por conta disso, o suco pancreático contém íons bicarbonato (HCO3-), para neutralizar a acidez do quimo ácido proveniente do estômago.

 

Além da bile e do suco pancreático o intestino delgado apresenta outra secreção, o suco entérico, produzido pelo próprio intestino delgado. Essa secreção contém as enzimas que finalizam o processo digestório e geram os nutrientes, as substâncias absorvíveis. O detalhe importante e interessante é que essas enzimas normalmente não estão em solução, elas se localizam nas membranas das células do epitélio intestinal. Como exemplos, há peptidases e dissacaridases.

 


As peptidases digerem os peptídeos gerados pela ação de proteinases como a pepsina, tripsina e a quimotripsina. A digestão dos peptídeos pelas peptidases gera os aminoácidos.

 

Uma dissacaridase importante é a lactase, que digere a lactose em glicose e galactose. A incapacidade de manter a produção dessa enzima na idade adulta torna a pessoa intolerante à lactose, pois não a digere.

 


Também é necessário destacar que tanto a bile, quanto os sucos pancreático e entérico possuem íons bicarbonato, cuja função é neutralizar a acidez do quimo ácido proveniente do estômago e tornar a porção inicial do intestino delgado alcalina (pH ~7,5 – 8,8). As porções mais distais do intestino delgado têm pH que tende ao levemente ácido por conta da atividade de lactobacilos, que geram energia via fermentação lática e liberam ácido lático nesse meio.

 

Após sofrer a ação das secreções que agem no intestino o bolo alimentar, antes chamado quimo, passa a ser chamado quilo (“quimuitoácido e quilalcalino”).

 

A parede interna do intestino delgado apresenta “rugas e ruguinhas”, são as vilosidades e as microvilosidades, prolongamentos que aumentam bastante a área da superfície de absorção de nutrientes (200-250 m2!), para aumentar a eficiência do processo.

 


No tocante à regulação hormonal, destacaremos dois hormônios produzidos pelo intestino delgado:

 

A secretina é liberada em resposta à presença do quimo ácido no intestino delgado e à sua acidez. Ela age no pâncreas e nos dutos biliares, promovendo a liberação do suco pancreático e da bile (secreções contendo íons bicarbonato) e também age no estômago inibindo a secreção de suco gástrico. Foi o primeiro hormônio a ser descoberto.

 

A colecistocinina é liberada em resposta à presença de lipídeos. Age promovendo a liberação de bile, de suco pancreático (que contém lipases), inibe o esvaziamento gástrico, a fim de conseguir digerir os lipídeos que já se encontram no intestino e induz o hipotálamo a gerar a sensação de saciedade.

 




4. Intestino grosso ou cólon à Reto à Ânus.

 

A porção inicial do intestino grosso tem um apêndice, chamado ceco. Ele abriga populações de micro-organismos beneficiais, que podem repopular o intestino caso necessário e, também possui tecido linfoide em sua parede. Nesse local há a maturação de linfócitos B e a produção de anticorpos que controlarão a microbiota intestinal.

 

O intestino grosso propriamente dito é dividido em quatro porções: os cólons ascendente, transverso, descendente e sigmoide.

 




As funções do intestino groso são basicamente absorver a água e sais do bolo alimentar. Também há a absorção de algumas vitaminas. Assim, formam-se as fezes. As fezes são constituídas de 75 % de água e 25 % de sólidos diversos (bactérias, fibras vegetais, pigmentos e etc.).

 

Outro detalhe importante sobre o intestino grosso é que ele abriga a maior parte da microbiota intestinal, um conjunto diverso de micro-organismos, principalmente bactérias, que habita o órgão, se beneficia dos restos que não aproveitamos e nos pagam uma espécie de aluguel. O intestino delgado também possui uma microbiota, mas mais concentrada na porção final, o íleo.

 

Essas bactérias do cólon se aproveitam das fibras vegetais que ingerimos. Nós não conseguimos digerir essas fibras, mas as bactérias conseguem e os usam em processos fermentativos para gerarem energia. Esses processos geram subprodutos de interesse para nós, como exemplos temos o butirato, um ácido graxo de cadeia curta usado como fonte de energia pelas próprias células do intestino grosso. As bactérias da microbiota também produzem algumas vitaminas, como a K e a B12.

 


Por fim, as fezes atingem o reto, que possui esfíncteres (musculatura circular em volta do órgão tubular) que junto a dois esfíncteres anais, controlam a saída das fezes. O reto possui esfíncteres de Houston, que ao serem distendidos pela chegada das fezes enviam o sinal ao encéfalo de que “Houston, we have a problem!” é a vontade de defecar que chegou. Após passar por esses esfíncteres, as fezes também distendem o esfíncter anal interno, de contração involuntária e que fica o tempo todo contraído até essas benditas fezes chegarem até ele. É o momento em que você entende que tem de resolver esse problema... Então as fezes chegam finalmente ao esfíncter anal externo, de contração voluntária. Aqui é que surgem os heróis. Ou não, o ideal mesmo é buscar resolver o problema quando a vontade surge, ficar segurando pode ter consequências bem desagradáveis, por exemplo, pode haver um peristaltismo no sentido contrário e as fezes serem devolvidas para o cólon, onde haverá mais absorção de água, transformando aquele cilindro macio e escorregadio em um fecaloma, uma pedra de fezes que quando sai, sai de forma rude, pra dizer o mínimo. Sugiro sempre andar com papel higiênico e lenços umedecidos por aí.


Referências:


Livros de biologia do ensino médio: Amabis & Martho; Lopes & Rosso; Linhares, Gewandsznajder & Pacca. Além desses, o do Campbell de Biologia.

Várias entradas na Wikipedia (em inglês).

Livros de fisiologia do Guyton & Hall; e Silverthorn.

Pesquisas no chatbot com IA (Gemini). 

As imagens foram feitas com o uso do Canva, MindtheGraph e do Gemini.