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segunda-feira, fevereiro 08, 2021

OS PROTISTAS PARTE 01 - AS ALGAS

OS PROTISTAS PARTE 01 - AS ALGAS 


Antes de começar, assista a esse vídeo resumo.

 

Os protistas constituem uma categoria artificial, constituída pelas algas e pelos protozoários, seres vivos que habitam ambientes aquáticos, úmidos e com algumas espécies parasitas (apenas os protozoários podem ser parasitas). Estes seres têm várias origens evolutivas distintas. De forma geral, os organismos eucariontes que não se encaixam adequadamente nos Reinos Fungi, Plantae e Animalia, são classificados nos vários táxons de protistas. Apesar de os protozoários serem unicelulares e nem todas as algas serem multicelulares, pode-se destacar a multicelularidade como sendo uma apomorfia importante do grupo, das algas, pois os organismos multicelulares têm um corpo, chamado talo, e isso também constitui o primeiro passo no que diz respeito ao surgimento de tecidos verdadeiros.

 

Filogenia simplificada dos protistas.

 

A classificação dos protistas é baseada em vários aspectos, se são uni- ou multicelulares, autótrofos ou não, quais estruturas celulares possuem e um critério interessante é o da endossimbiose. Apenas as algas verdes e as algas vermelhas são endossimbiontes primários. Outros grupos fagocitaram e não digeriram as algas verdes ou as vermelhas para adquirir os seus cloroplastos, que podem ter sido perdidos ou alterados ao longo das gerações.

 

 

ALGAS

 

São seres:

 

Eucariontes.

Unicelulares ou pluricelulares: os multicelulares têm um corpo chamado talo, ainda sem tecidos e órgãos diferenciados.

Todas são autótrofas fotossintetizantes.

 

As algas compreendem um grupo diverso de organismos geralmente aquáticos ou de ambientes úmidos, um dos quais, o das algas verdes, pode ser considerado como o ancestral das plantas. Apesar disso, as algas não são plantas, pois não apresentam tecidos e órgãos diferenciados e nem um embrião multicelular que retira alimento da planta genitora. Superficialmente, o talo das algas multicelulares pode se parecer com as partes de uma planta, mas não possui tecidos diferenciados, nem raízes, folhas e caules verdadeiros.

 

Imagem representativa da diversidade das algas. A a E: glaucófitas, rodófita (alga vermelha), clorófita (alga verde), acetabulária (alga verde) e uma planta. São os eucariontes que contém cloroplastos arqueoplastídeos primários.  F a J: criptomonas, haptófita, diatomácea, alga parda e dinoflagelado. Têm cloroplastos derivados de algas vermelhas. K a O: rhizária, Euglena, rhizária, dinoflagelada, plasmódio (apicomplexo, têm uma organela, chamada complexo apical, derivada dos cloroplastos). Outras linhagens de cloroplastos. As barras de escalas na imagem indicam 5 micrometros. 

Imagem:

https://www.researchgate.net/publication/51175061_Do_Red_and_Green_Make_Brown_Perspectives_on_Plastid_Acquisitions_within_Chromalveolates

 

As algas são organismos que vivem geralmente em ambientes aquáticos, tanto de água doce quanto de água salgada e também em ambientes úmidos. A maioria das algas apresenta parede celular, sendo que em certos casos, alguns componentes destas paredes celulares podem ser de interesse econômico.

 

As algas aquáticas podem fazer parte tanto do Plâncton quanto do Bentos:

 

Plâncton: Grupo de organismos que vivem à deriva em ambientes aquáticos, pois não conseguem vencer as correntes de água e nadar livremente. O plâncton pode ser dividido em fitoplâncton, constituído dos organismos fotossintéticos como as algas e as cianobactérias, e em zooplâncton, constituído de protozoários e microcrustáceos, por exemplo.

Bentos: Grupo de organismos aquáticos que vivem no fundo.

O Nécton é o grupo de organismos capaz de nadar livremente e vencer as correntes de água. O exemplo mais fácil são os peixes.

 

Imagem mostrando o plâncton, o bentos e o nécton (grupo dos organismos que consegue se locomover, vencendo as correntes de água). Fonte: http://mrgulka.weebly.com/3-groups-of-ocean-animals.html

 

As algas podem apresentar reprodução:

 

Assexuada:

 

Divisão binária, no caso de algas unicelulares, em que uma célula se divide originando duas iguais.

Fragmentação do talo, em que um fragmento da alga pode regenerar um novo talo. O talo, como já mencionado, é o corpo vegetativo de uma alga multicelular.

Zoosporia, em que uma alga haploide produz zoósporos por mitose, células flageladas que têm a capacidade de se desenvolver e originar um novo indivíduo adulto.

 

Sexuada:

 

Pela formação de zigósporos, em que duas células adultas haploides funcionam como gametas, unindo-se e formando um zigoto dentro de um envoltório chamado zigósporo, diploide. Este zigoto sofre meiose e origina 4 novos indivíduos haploides.

Por conjugação, em que há a diferenciação de certas células haploides de um filamento em gametas masculinos e femininos, que se unem, originando um zigoto diploide. Este, por sua vez, dá origem a novos talos.

Alternância de gerações. Há a alternância de indivíduos adultos haplóides (n), os gametófitos (“planta” que produz gametas) e indivíduos adultos diplóides (2n), os esporófitos (“planta” que produz esporos). Neste caso, os gametófitos (n) produzem gametas (n), que após a fecundação originam um zigoto (2n). O zigoto se desenvolve e origina um esporófito (2n), que produz esporos (n). Os esporos germinam e originam gametófitos, reiniciando o ciclo.

 

Reprodução sexuada e assexuada em Chlamydomonas.

Imagem: https://www.biologyjunction.com/algal__fungal_protist_notes_b1.htm


Reprodução sexuada por conjugação em Spirogyra. Imagem: Myloview.com.


 


Ciclo de vida com alternância de gerações em Ulva sp. Imagem: plantscience4u.com.

 

Importância ecológica das algas: as algas, por serem autótrofas fotossintetizantes, são a base das cadeias alimentares de ambientes aquáticos (são os produtores). São também responsáveis por ~90% da fotossíntese realizada no planeta, sendo assim, são responsáveis pela manutenção da quantidade de O2 presente na atmosfera (~21%). São o pulmão do mundo, ao passo que as grandes florestas são grandes aparelhos de ar condicionado.


Cadeia alimentar de ambiente aquático mostrando as algas como produtoras. Imagem: https://www.dalconenvironmental.com.au/services/.


Os chamados “florescimentos” danosos das algas são eventos nos quais as algas podem se multiplicar de maneira excessiva, de maneira que o que inicialmente pode parecer bom e/ou inofensivo, pode resultar na morte de vários organismos aquáticos. Como exemplos desses florescimentos podemos citar a eutrofização e as marés vermelhas.


Na eutrofização ocorre inicialmente um aumento na entrada de nutrientes no ambiente, sobretudo os compostos nitrogenados e fosfatados. Isso promove a multiplicação excessiva das algas, que inclusive formam uma camada superficial que dificulta a passagem da luz para as regiões mais profundas, prejudicando a fotossíntese das algas bentônicas.

Esse excesso de algas gera também um excesso de restos dessas algas, o que promove a multiplicação dos organismos decompositores aeróbicos no fundo. Essa multiplicação consome mais O2 do que as algas conseguem liberar, gerando zonas hipóxicas, ou seja, com quantidades de O2 insuficientes para manter a vida de um organismo aeróbico. Isso gera a morte de vários deles, como os peixes, prejudicando inclusive quem depende da pesca.

 


Nos casos em que ocorre eutrofização, o fator determinante é o aumento das concentrações de NO3– e SO4-2 no meio, geralmente provenientes das atividades humanas. Esses nutrientes promovem a multiplicação das algas, o que desencadeia uma sequência de eventos que leva a geração das zonas hipóxicas e à morte de organismos aquáticos aeróbicos.

Imagem: http://ngojwg.org


No caso das marés vermelhas típicas o início é semelhante ao que vimos na eutrofização. Ocorre uma entrada excessiva de nutrientes no ambiente, promovendo a multiplicação das algas, mas nesse caso, as algas que se multiplicam são as dinoflageladas, capazes de liberar toxinas no meio. Tendo em vista que essas algas possuem pigmentos, multiplicam-se excessivamente e formam uma população muito densa, as águas adquirem uma coloração avermelhada, por isso o nome do fenômeno. As toxinas que essas algas liberam causam a morte de peixes e, dependendo da situação, nas proximidades das águas as toxinas podem ser dispersadas em gotículas e causar até problemas respiratórios em humanos, além de poder causar outros tipos de problemas caso as pessoas ingiram os peixes contaminados com as toxinas. 




Algumas algas podem viver de maneira simbiótica com outros grupos de organismos, como por exemplo, os líquens, que são associações entre algas e fungos, as zooxantelas, associações normalmente entre corais e algas dinoflageladas e as zooclorelas, associações normalmente entre algas verdes e corais. Nesses tipos de associações as algas, por serem organismos produtores, fornecem substâncias orgânicas para os fungos ou corais, e recebem deles proteção e alguns compostos simples. Esses tipos de associações permitem aos organismos viver e colonizar ambientes que, talvez, por si sós, não conseguiriam.

 


Líquens em um galho de árvore. Imagem: Wikipédia.

 


Pólipo de coral Montipora sp. Esse coral possui algas dinoflageladas vivendo como simbiontes. Caso não tivesse, teria a coloração branca. Imagem: Wikipédia.

 

Por conta do aumento da temperatura das águas oceânicas e do acúmulo de poluentes, vários corais têm passado por um processo de branqueamento, no qual as algas podem morrer ou serem expulsas dos tecidos dos corais, terminando a relação simbiótica, o que pode até levar à morte dos corais, pois os tornam mais vulneráveis. O branqueamento se deve ao fato de que sem as algas, vemos apenas a cor dos esqueletos calcáreos dos corais. Inclusive, a ausência das algas também pode dificultar a formação desses esqueletos calcários.

 

Esquema mostrando o branqueamento dos corais. Imagem: Universidade do Wisconsin.
 

 

Importância econômica das algas: Várias espécies de algas pluricelulares são utilizadas na alimentação humana, como as algas pardas, verdes e vermelhas. Além disso, algumas produzem substâncias de interesse econômico. Alguns exemplos: as diatomáceas são algas que possuem carapaças constituídas de SiO2 (dióxido de silício), que podem formar depósitos e serem utilizadas na fabricação de produtos de polimento e cosméticos. As algas vermelhas têm bastantes nutrientes e são utilizadas na culinária oriental, como o nori, que embala os sushis. Outros grupos de algas, com as verdes e as pardas, também têm espécies comestíveis. Na tabela sobre a classificação há alguns exemplos a mais.


As algas podem ser utilizadas no processo de biorremediação, que consiste em "limpar" ambientes poluídos com o uso de organismos capazes de neutralizar poluentes ou reduzir as suas concentrações no ambiente. Como exemplos, as algas Chlamydomonas são capazes de neutralizar herbicidas e as algas Chlorella e Spirulina são capazes de absorver metais pesados do meio, como o chumbo, cádmio e o mercúrio.


Classificação das algas:

 

A tabela a seguir mostra alguns dos principais grupos de algas, que, dependendo da fonte, são classificados como Filos ou Classes. A classificação é baseada em aspectos diversos, como os tipos de clorofila, outros pigmentos que contêm e as substâncias de reserva nutritiva:

 

Filo

Importância e peculiaridades

Chlorophyta

(algas verdes)

Prováveis ancestrais das plantas; algumas espécies são comestíveis; podem formar associações simbióticas com fungos (líquens) e cnidários (zooclorelas). As paredes celulares podem conter ulvanos, substâncias usadas como espessantes.

Phaeophyta

(algas pardas)

Apresentam espécies comestíveis (kombu); possuem os maiores talos. A algina da parede dá a consistência de alimentos, como a espuma da cerveja, e funciona como emulsificante de sorvetes, doces e maionese. Nas paredes celulares há também os fucoidanos, utilizados na produção de geis e como antioxidantes.

Rhodophyta

(algas vermelhas)

Apresentam espécies comestíveis (nori do sushi). O ágar da parede é utilizado na fabricação de géis e a carragenina, como estabilizante de emulsões, usada na produção de alimentos, medicamentos e produtos cosméticos.

Bacillariophyta (diatomáceas)

Recobertas por carapaças chamadas frústulas constituídas de SiO2. O acúmulo de carapaças no fundo do mar origina os diatomitos, utilizados na produção de polidores, filtros, tijolos e isolantes térmicos. Também, caso sejam encontradas nos pulmões de cadáveres, podem indicar morte por afogamento.

Chrysophyta

(algas douradas)

Nada particularmente especial…

Euglenophyta (euglenóides)

São unicelulares e sem paredes celulares. Populações grandes destes organismos sugerem que as águas estão poluídas por matéria orgânica. 

Dinophyta (dinoflagelados)

São as responsáveis por causar as marés vermelhas, fenômeno em que ocorre a proliferação excessiva destes organismos, com a liberação de toxinas nas águas, que terminam por matar animais marinhos. Podem ser encontrados associados com protozoários actinopodes e corais (zooxantelas). Algumas apresentam bioluminescência. Atribui-se ao fenômeno do aquecimento global e ao acúmulo de poluentes, o fato de que os corais estão se tornando brancos devido à morte das zooxantelas.

 

Charophyta (carofíceas)

 

Nada particularmente especial…

 

Referências:

Livros de biologia do ensino médio da Sônia Lopes e Amabis, várias entradas sobre o assunto na Wikipedia e Britannica e nos links das imagens.

segunda-feira, fevereiro 01, 2021

SISTEMÁTICA E TAXONOMIA - CLASSIFICAÇÃO

Sistemática e taxonomia.


Se você for o dono de um supermercado sabe que se os produtos forem dispostos aleatoriamente nas prateleiras, o gerenciamento e as vidas dos clientes, que terão de passar mais tempo procurando o que querem, serão prejudicados. Tendo isso em vista, quando se tem muitos itens para se gerenciar e estudar é essencial adotar um sistema para organizá-los. No tocante à diversidade da vida, há uma quantidade enorme de organismos diferentes, sendo assim, é essencial que sejam categorizados. 




 Esta Foto de Autor Desconhecido está licenciado em CC BY-NC


“A sistemática pode ser definida como o estudo dos tipos e diversidade de organismos e das relações entre eles. A taxonomia, por outro lado, é a teoria e prática de identificar, descrever, nomear e classificar os organismos. A classificação é o arranjo dos organismos em grupos, os táxons (plural: taxa), com base nas relações entre eles.” (Fonte.)

 

A sistemática tem como objetivos, descrever a biodiversidade na forma de catálogos de espécies, desenvolver os critérios para se organizá-la e compreender os processos responsáveis pela geração de diversidade. A taxonomia é a forma pela qual a sistemática apresenta os seus resultados.


Vamos considerar, por exemplo, a forma como a sua família organiza os diversos produtos adquiridos em um supermercado. A sistemática seriam os critérios que vocês utilizam para organizar os produtos: limpeza, alimentos a serem guardados na geladeira, no freezer, na dispensa… A taxonomia, por sua vez, seria o resultado final da organização. Você, ao pegar um saco de arroz, identifica neste produto determinadas características que o permitem concluir que ele deve ser armazenado numa dispensa e não num freezer. Essa matéria é útil para que você entenda melhor os motivos pelos quais seguimos uma determinada sequência quando estudamos os grupos de seres vivos e quais são as relações entre eles.


De maneira geral e simplificada podemos dizer que os organismos são organizados primordialmente de acordo com as suas características estruturais/anatômicas e genômicas.


 



Na imagem vemos, à esquerda, vários representantes da família dos canídeos, na direita, apenas as raposas. Em grande parte, as categorias taxonômicas são baseadas nas características anatômicas, que inclusive refletem as informações dos genomas. Perceba que as raposas são mais semelhantes entre si do que com o resto dos canídeos, que por sua vez são mais semelhantes entre si do que com os felídeos (a família dos gatos). A classificação é baseada nesses tipos de dados e raciocínio.


Desde a antiguidade já havia sistemas de classificação, que foram sendo modificados ao longo do tempo, em resposta ao aumento do conhecimento científico e para se ajustar à mudança de paradigma criacionista fixista para um evolucionista. Alguns exemplos:

 

O sistema de Aristóteles, da Grécia antiga, que classificava os organismos em animais e plantas. Os animais de acordo com o ambiente em que viviam (voadores, nadadores…), as plantas de acordo com o critério tamanho (ervas, arbustos e árvores) e também os animais como tendo sangue ou não.

O sistema de Agostinho de Hipona, do Século IV, cujo critério de classificação era a utilidade que os seres vivos tinham para a espécie humana (úteis, nocivos e indiferentes).

O sistema de Lineu, do Século XVIII, cujo critério era baseado nas características estruturais e anatômicas dos seres vivos. Lineu é considerado o pai da taxonomia, pois propôs as categorias taxonômicas, Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero e Espécie e também o sistema de nomenclatura binomial.

O sistema de Whittaker, do Século XX, baseado em cinco reinos, e que leva em consideração as relações de parentesco evolutivo entre os organismos.



 

Sistema de classificação de Whittaker.

Esta Foto de Autor Desconhecido está licenciado em CC BY-SA-NC



Sendo um sistema hierárquico, a categoria taxonômica ou táxon básico é a espécie: grupo de populações cujos indivíduos, em geral, apresentam características semelhantes e são capazes de cruzar e produzir descendentes férteis, em condições naturais, estando reprodutivamente isolados de indivíduos de outras espécies.


Os outros táxons são (exemplificando a espécie humana):


Reino – Animalia

Filo – Chordata

Classe – Mammalia

Ordem – Primates

Família – Hominidae

Gênero – Homo

Espécie – sapiens

 

Palavra mnemônica: ReFiCOFaGE

 

Também existem sub- e super-categorias (ex: superordem e subgênero). Além destes, acima da categoria Reino, também há uma categoria chamada Domínio em classificações mais recentes:

 

Eukarya: compreende os vários reinos de organismos eucariontes.

Archaea: arqueas.

Bactéria: bactérias.

 



O sistema de classificação em domínios foi inicialmente proposto por Carl Woese em 1990, de maneira a representar melhor as relações filogenéticas entre os vários organismos procariontes.


A palavra mnemônica passa a ser, então: DoReFiCOFaGE. Cuidado pra não confundir com as notas da escala musical.


As espécies de seres vivos são nomeadas de acordo com um sistema de nomenclatura binomial (introduzido por Lineu) que segue a regra Gênero epíteto:

 

O nome do gênero seguido do epíteto e ambos devem ser destacados do resto do texto (em itálico, negrito ou sublinhado).

O nome do gênero sempre vem com a inicial maiúscula e o epíteto com a inicial minúscula.

Os nomes dos organismos devem ser escritos de forma latinizada. (Não pode ser algo do tipo: Gatinho lindo). Como o latim é uma língua morta, espera-se que não seja mais modificada, o que facilita a comunicação científica. Por exemplo, os pumas também podem ser conhecidos por vários outros nomes, como onça parda, suçuarana, leão da montanha e outros. Porém, em comunicação científica a espécie é Puma concolor.

Quando aparecer pela primeira vez no texto, o nome deve ser escrito por completo, e depois pode se abreviar o nome genérico: Canis familiaris > C. familiaris.

Além disso, o nome do gênero pode ser escrito de forma isolada, ao passo que o da espécie não: Posso escrever apenas Canis, ou Canis sp., sem especificar mais que isso.

 

A sistemática atual, assim como as ciências biológicas em geral, é baseada na biologia evolutiva e na descendência comum universal (um primeiro ser vivo, simples e primitivo, é o ancestral de todas as formas de vida existentes hoje no planeta). Sendo assim, as classificações, na verdade, são genealogias, exibindo as relações de parentesco entre os seres vivos. Vejamos alguns conceitos importantes nesse âmbito.


 


Diagrama mostrando uma árvore da vida, a genealogia dos organismos.


Algumas das principais evidências em favor da ocorrência dos processos evolutivos são:

 

Fósseis: restos ou vestígios de seres que viveram em épocas remotas. Mostram que nosso planeta já foi habitado por espécies distintas das atuais, e que foram as ancestrais das atuais.

Semelhanças entre os embriões dos vertebrados: evidenciam a descendência em comum.

Órgãos homólogos: órgãos que têm a mesma origem embrionária e desenvolvimento em espécies diferentes. Apesar disso em alguns casos, podem desempenhar funções distintas em espécies distintas, como os membros anteriores de vertebrados terrestres e as asas de morcegos. (Órgão análogo: órgão que desempenha a mesma função em certas espécies, apesar de ter origens embrionárias distintas. Por exemplo: asas de aves, insetos e de morcegos.)

Semelhanças entre sequências de ácidos nucléicos e proteínas: quanto mais próximo o parentesco evolutivo, maiores tendem a ser as similaridades entre as sequências de bases nitrogenadas dos genes de organismos de espécies diferentes.


 


Imagens mostrando alguns órgãos homólogos, fósseis e embriões de vertebrados, evidências do processo evolutivo.

 

Acredita-se que os principais mecanismos capazes de terem gerado toda a biodiversidade foram:

 

Mutações (= mudanças) no material genético dos seres vivos, gerando novos genes e informações e, assim, permitindo o aumento na variabilidade e na complexidade dos organismos.

Seleção natural: nem todos os organismos têm a mesma capacidade de se reproduzir e deixar descendentes. Em um determinado ambiente os organismos com as características mais favoráveis têm maior potencial para sobreviver e gerar mais descendentes, logo, propagam os seus genes de maneira mais eficaz (esses indivíduos tem maior fitness), ao passo que outros genes podem até desaparecer da população.


Esses processos permitem que as populações de organismos evoluam no sentido de se tornar mais aptas a sobreviverem em seus ambientes e, ao longo das gerações, geram diversidade e novas espécies.


A adaptação é a capacidade de os seres vivos se ajustarem ao ambiente. Pode ser um processo de ajustamento individual (homeostase), ou de uma espécie ao ambiente no curso da evolução (adaptação evolutiva).


O processo de formação de novas espécies é chamado de especiação. Podemos, de maneira simplificada afirmar que a especiação ocorre via anagênese e cladogênese (atualmente há nomenclaturas distintas, contemplando processos distintos, veja aqui).


Na anagênese, mais rara, às vezes também referida como especiação simpátrica, ocorre que em uma determinada população, ao longo das gerações, as mutações se acumulam até que em um determinado momento as populações atuais tenham se modificado tanto ao ponto de poderem ser consideradas espécies distintas daquelas ancestrais. Um exemplo é o que pode ter havido, pelo menos em parte, na linhagem dos cavalos, referente ao aumento do tamanho corporal e o desenvolvimento de outras adaptações.




 


A cladogênese, às vezes também referida como especiação alopátrica, abrange processos naturais capazes de separar uma população original em duas ou mais e, a partir daí, essas populações evoluem e podem gerar novas espécies. É o caso, por exemplo, de uma catástrofe natural fragmentar uma ilha e isolar as populações, que poderiam gerar novas espécies.


 


Esquema representando a especiação via cladogênese. Imagem: Wikipedia. 


 


Comparação entre a cladogênese e a anagênese. 

Imagem: facinatingamazinganimals.wordpress.com


As árvores filogenéticas são diagramas que organizam e relacionam os seres vivos de acordo com o parentesco evolutivo entre eles. Atualmente há dois métodos principais em Sistemática:

 

Fenética: classificação baseada no número de características morfológicas entre os seres vivos, mesmo que isso não reflita a história evolutiva de um grupo. Também chamada de taxonomia numérica.

Filogenética: classificação baseada nas relações de parentesco e história evolutiva dos organismos.

 

A filogenética utiliza-se da cladística, método que procura estabelecer relações de parentesco evolutivo pela escolha criteriosa de características que realmente indiquem a ancestralidade comum entre os grupos. Os cladogramas são diagramas que mostram as relações filogenéticas entre os grupos de seres vivos considerados. A construção do cladograma é baseada em dois tipos de características:

 

Apomorfias: são as novidades evolutivas ou características derivadas, não presentes no ancestral. Em relação às apomorfias também temos as:

Plesiomorfias: são as características primitivas, mais antigas na linhagem.

 

Exemplo: considerando os mamíferos e os répteis, as glândulas mamárias seriam uma apomorfia, uma novidade dos mamíferos, ao passo que a presença de um endoesqueleto ósseo seria uma plesiomorfia, uma característica presente em ambos os grupos e no ancestral.



 

Imagem mostrando um cladograma possível e simplificado da linhagem dos cordados. No cladograma, a característica mais primitiva mostrada (a plesiomorfia) é a presença das vértebras, as outras, em relação a ela, são novidades evolutivas (apomorfias). 


Um clado ou grupo monofilético, é um grupo de organismos e o ancestral comum mais recente deles. Por exemplo, na imagem acima, as aves, crocodilianos, lagartos, cobras, tuataras, tartarugas e jabutis, ou seja, os répteis e as aves, formam um grupo monofilético. No entanto o grupo “répteis”, como exclui as aves, é chamado de grupo parafilético, inclui-se um ancestral comum, mas nem todos os descendentes dele. Os grupos polifiléticos são aqueles em que há um grupo de organismos e mais de um ancestral, sendo pelo menos um ancestral não comum a todos, ou então, grupos de organismos que não compartilham um ancestral comum direto. Se considerássemos, por exemplo, os animais homeotérmicos, grupo artificial que abrange mamíferos, aves, alguns peixes e alguns dinossauros, poderíamos ter um grupo polifilético.

 


Na imagem comparam-se os grupos monofilético (clado), polifilético e parafilético.


Nos cladogramas, a base representa o passado enquanto o topo representa o presente. Quando se mostram organismos localizados abaixo do topo, isso significa que o grupo é extinto. Cada ramificação é chamada de nó e representa o ponto onde ocorreu o evento de especiação e quando viveu o último ancestral comum de dois ramos.


Os principais reinos de seres vivos:

 

Uma das formas mais fáceis de se visualizar os reinos de seres vivos é o sistema de classificação proposto por Whittaker e modificado por Margulis e Schwartz, de 5 reinos. São eles:

 

Monera: “reino” dos organismos procarióticos. Lembrando que, atualmente os procariontes são pertencentes aos domínios Bacteria e Archaea e o domínio é uma categoria acima do reino.

Protoctista ou Protista: protozoários (unicelulares, eucarióticos e heterotróficos) e algas (uni ou pluricelulares, eucarióticos e autótrofos fotossintetizantes).

Fungi: fungos (uni ou pluricelulares, eucarióticos e heterótrofos).

Plantae: plantas (pluricelulares, eucarióticos e autótrofos fotossintetizates).

Animalia: animais (pluricelulares, eucarióticos e heterótrofos).

 

Os vírus são um caso à parte, pois são acelulares. Sendo assim, não apresentam metabolismo próprio e são obrigatoriamente parasitas intracelulares. Como não sabemos definir se são ou não vivos, chamamos os vírus de entidades. Não obstante, também podem ser classificados em categorias taxonômicas, apesar de os nomes dos vírus não seguirem as regras da nomenclatura binomial dos organismos.


Referências: 


Livros de biologia da Sônia Lopes, Amabis, Campbell e várias entradas sobre o tema na Wikipedia e Enciclopaedia Britannica.