Translate

segunda-feira, outubro 08, 2012

TECIDOS CONJUNTIVOS


TECIDOS CONJUNTIVOS

Maximiliano Mendes






Características gerais:

Possui diversos tipos de células, pouco justapostas, e com matriz extracelular abundante, características distintas em relação aos tecidos epiteliais. A matriz extracelular pode ser subdividida em dois componentes:

1. “Substância” fundamental amorfa: solução constituída de água e diversas macromoléculas (glicosaminas, proteoglicanos, glicoproteínas...).

2. Fibras: estruturas alongadas e de constituição protéica, como as de elastina, colágeno e reticulares (essas últimas também são constituídas de colágeno).

Colágenas: fibras bastante resistentes à tensão. Dentre outras funções, contribuem para a manutenção da firmeza da pele. O colágeno é o tipo de proteína mais abundante do corpo. Na medida em que envelhecemos, produzimos menos dessas fibras, o que causa o surgimento de rugas e a perda da firmeza da pele.



Elastina: capazes de recuperar sua forma original após serem submetidas às forças de tensão.



Reticulares: também são constituídas de colágeno. Ligam o tecido conjuntivo aos tecidos vizinhos. Também são capazes de criar redes em órgãos que podem mudar de forma ou volume, como os vasos sanguíneos e o intestino.



Ao contrário dos tecidos epiteliais, que podem ser originados a partir dos três folhetos germinativos, os tecidos conjuntivos têm origem mesodérmica. Apesar disso, existem diversos tipos de tecidos conjuntivos como veremos posteriormente.

Dentre os tipos celulares que podem ser encontrados nesses diversos tecidos conjuntivos, podemos citar os fibroblastos, macrófagos, condrócitos, osteócitos, adipócitos e as células do sangue. As células cujos nomes terminam em “blastos” são jovens e produzem a matriz extracelular, já as células cujos nomes terminam em “citos”, são adultas e têm metabolismo baixo.

Funções:

Dentre as diversas funções estão:

  1. Preenchimento de espaços. Por exemplo: entre órgãos e entre tecidos. Daí o nome: conjuntivo ou conectivo.
  2. Sustentação: função que pode ser exercida pelas cartilagens (pavilhão auditivo externo, nariz e sistema respiratório) e pelo tecido ósseo.
  3. Defesa: pois possuem e originam leucócitos, as células responsáveis pela defesa imune.
  4. Proteção contra choques: como exemplos podemos citar os ossos da caixa craniana, caixa torácica e a coluna vertebral, que envolvem e protegem órgãos e estruturas importantes. Ademais, o tecido adiposo presente nas solas dos pés os protegem contra impactos.
  5. Nutrição: pois possuem vasos sanguíneos e o próprio sangue é um tipo de tecido conjuntivo. A derme, um tecido conjuntivo propriamente dito é responsável pela nutrição da epiderme, um tecido epitelial, e, portanto, desprovido de vasos sanguíneos. Além disso, podem constituir reserva energética, como no caso do tecido adiposo.
  6. Cicatrização, graças à multiplicação dos fibroblastos e sua produção de matriz extracelular, que, de certa forma, ocupam o espaço lesionado.

De forma geral, podemos dizer também que, em associação ao tecido muscular, os tecidos conjuntivos estão envolvidos no estabelecimento e manutenção da forma do corpo.

Tipos:

Os tecidos conjuntivos são caracterizados de acordo com o tipo de célula e a matriz extracelular que possuem:

1. Tecido conjuntivo propriamente dito:

Frouxo: É o tipo de tecido conjuntivo mais comum, encontrado por todo o corpo. Possui diversas funções, como preenchimento, apoiar órgãos e epitélios, nutrição e cicatrização de feridas.  Há a presença de fibras elásticas, reticulares e colágenas.


Denso: em comparação com o frouxo, possui muitas fibras colágenas. Pode-se subdividir os tecidos conjuntivos propriamente ditos densos em:

  • Modelado: as fibras de colágeno se apresentam orientadas de forma paralela. É o tipo de tecido que constitui os tendões (unem os músculos aos ossos) e os ligamentos (unem os ossos entre si).
  • Não-modelado: as fibras de colágeno não se apresentam orientadas. Um bom exemplo é a derme da pele.


Dentre os tipos celulares que podemos destacar, presentes nos tecidos conjuntivos propriamente ditos, estão os fibroblastos e os macrófagos. Os fibroblastos são as células responsáveis pela produção da matriz extracelular com suas fibras e pela cicatrização, ao passo que os macrófagos são células fagocíticas do sistema imunitário.

2. Adiposo: tecido cujas células, os adipócitos armazenam lipídios, sendo assim, tem as funções de reserva energética, isolante térmico e proteção contra choques mecânicos (como vimos acerca do tecido presente nas solas dos pés).

Há dois tipos de tecidos adiposos, o branco, cujas características foram mencionadas acima e o marrom. O tecido adiposo marrom é especializado em gerar calor e consegue fazer isso, pois, durante a cadeia de transporte de elétrons mitocondrial, o transporte de íons H+ pela membrana interna não é acoplado com a produção de ATP via fosforilação oxidativa, assim, a energia liberada graças a esse processo é utilizada apenas para gerar calor. Isso é particularmente importante para os recém-nascidos expostos ao frio, pois eles ainda não conseguem tremer de frio para gerar calor de maneira eficiente. O tecido adiposo marrom pode ser encontrado, por exemplo, ao redor do pescoço e em alguns vasos sanguíneos grandes do tórax.


3. Cartilaginoso: tecido cujas células são os condrócitos. É um tecido firme que, assim como os tecidos epiteliais, não apresenta vasos sanguíneos, sendo assim, sua nutrição é feita por difusão de nutrientes a partir de outros tecidos adjacentes. Tem as funções de sustentação de algumas estruturas, como o nariz, o pavilhão auditivo externo e o trato respiratório, nesse último caso, graças à presença de anéis cartilaginosos que mantêm as vias respiratórias abertas, para facilitar a passagem do ar e, também, tem a função de proteger as superfícies articulares, pois está presente nas pontas dos ossos e entre as vértebras, por exemplo, funcionando como uma espécie de esponja amortecedora, que, além de reduzir os impactos, também previne a fricção entre os ossos. 

Por não possuir vasos sanguíneos, a regeneração dos tecidos cartilaginosos, como o que reveste as superfícies articulares é muito difícil. Vale ressaltar que um estudo recente concluiu que a ingestão do suplemento constituído de glicosamina e sulfato de condroitina (componentes da matriz cartilaginosa) não é eficiente na regeneração do tecido cartilaginoso em pessoas sofrendo de osteoartrite (muita gente compra isso e esse suplemento é bem caro!).
  

Imagem: https://en.wikipedia.org/wiki/File:Cartilage_polarised.jpg



Há três tipos de tecidos cartilaginosos, que diferem no que tange às concentrações de colágenos e proteoglicanos (estas são proteínas com glicídios ligados), componentes da matriz:

  • Cartilagem elástica: tem menos matriz extracelular e muitas células, próximas umas das outras. Pode ser encontrada, por exemplo, no pavilhão auditivo externo e epiglote.
  • Cartilagem fibrosa: tem muita matriz extracelular e poucas células. Pode ser encontrada nos discos cartilaginosos que protegem as vértebras e os meniscos.
  • Cartilagem hialina: tem quantidades de células e matriz extracelular intermediárias. Pode ser encontrada, por exemplo, no nariz, traqueia e nas pontas dos ossos (nas articulações).

4. Ósseo: suas células são os osteócitos. É um tecido rígido, pois a sua matriz extracelular apresenta sais de cálcio e fósforo, cujas funções principais são a sustentação do corpo, movimentação (em associação com os músculos) e a proteção de alguns órgãos, como o encéfalo e os órgãos da caixa torácica. Além da rigidez, por conta da presença dos sais de cálcio e fósforo, o tecido ósseo também é muito resistente por conta da associação desses sais com as fibras de colágeno presentes na matriz óssea. A figura a seguir ilustra a estrutura de um osso. OBS: cada osso é um órgão, que possui tecido ósseo, mas também outros, como o sangue, tecido adiposo e tecido nervoso.





Além dos osteócitos, outras duas células de interesse presentes nesse tecido são os osteoblastos, que produzem a matriz óssea (e posteriormente se desenvolvem em osteócitos e se tornam menos ativas metabolicamente) e os osteoclastos, que reabsorvem a matriz óssea e podem, com isso, liberar cálcio para o sangue.



5. Reticular ou hemocitopoiético: origina as células do sangue (haÎma = sangue e poesys = produção, formação). Pode ser encontrado constituindo as medulas ósseas vermelhas e ao redor dos rins, baço e nódulos linfáticos. Esse tecido possui fibras reticulares e forma uma espécie de substrato que apoia os órgãos e as estruturas linfáticas. Veremos o sangue em separado.



Doenças e aspectos relacionados:

  • Escorbuto: doença causada pela deficiência de vitamina C, cofator enzimático importante para que haja a síntese do colágeno. A falta de colágeno promove a degeneração do tecido conjuntivo, como a derme, hemorragias na gengiva e pode causar a perda de dentes.
  • Estrias: lesões na pele causadas pelo estiramento e rompimento de porções da derme e fibras elásticas. Normalmente ocorrem em associação ao fato de o indivíduo engordar rapidamente e/ou mudanças hormonais, de forma que a multiplicação celular não consegue acompanhar o aumento rápido da área superficial do corpo. As linhas que aparecem na pele são devido ao fato de que as suas porções mais internas se tornam mais visíveis deixando-a com listras inicialmente avermelhadas e posteriormente esbranquiçadas.
  • Celulite: condição na qual a pele apresenta o aspecto de vários “furinhos”, semelhante à aparência das cascas das laranjas e tangerinas. Existem fibras proteicas que unem a pele aos músculos, passando pelo tecido adiposo entre os dois (tela subcutânea). Essas fibras têm a função de conferir firmeza à pele. Uma das causas da celulite pode se dever ao acúmulo de lipídios na tela subcutânea, camada de tecido adiposo localizada abaixo da derme, que empurra a pele para cima, exceto nos locais onde as fibras proteicas citadas se ancoram, daí gerando os tais furinhos.
  • Queloides: às vezes, pode acontecer de as células responsáveis por reparar lesões na pele, os fibroblastos, produzirem uma quantidade muito maior de fibras. Isso faz com que o tecido que repara a lesão se estenda além da borda do ferimento. Além do aspecto estético, alguns queloides podem coçar e doer. Pode se tratá-los com cirurgias, corticoides anti-inflamatórios e tratamentos com laser. Também é interessante notar que as pessoas negras de descendência africana têm maior propensão a desenvolver queloides.


REFERÊNCIAS

Amabis & Martho. Biologia das Células. Moderna. 2004.
Clegg, DO. et al. Glucosamine, Chondroitin Sulfate, and the Two in Combination for Painful Knee Osteoarthritis. The New England Journal of Medicine. v. 354(8). Feb. 2006.

Junqueira & Carneiro. Histologia Básica. 10ª Ed. Guanabara Koogan. 2004.
Junqueira & Carneiro. Basic Histology. 11th Ed. McGraw-Hill. 2005.
Sônia Lopes. Bio: Volume Único. 2004.

http://www.medicinenet.com/keloid/article.htm
https://en.wikipedia.org/wiki/Reticular_connective_tissuehttps://en.wikipedia.org/wiki/Brown_adipose_tissue
https://en.wikipedia.org/wiki/Adipose_tissue
https://en.wikipedia.org/wiki/Cartilage
http://physrev.physiology.org/content/93/2/481






Gostou do material? Achou útil? Quer me ajudar? Clique nos anúncios e no G+1.