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quinta-feira, agosto 23, 2018

OS HORMÔNIOS SEXUAIS




Os Hormônios Sexuais. ( ͡° ͜ʖ ͡°) ( ͡ʘ ͜ʖ ͡ʘ)

Maximiliano Mendes


HORMÔNIOS SEXUAIS


Os hormônios sexuais são substâncias que têm funções relacionadas ao desenvolvimento dos órgãos genitais e à reprodução. São Produzidos primordialmente nas gônadas (testículos e ovários). As gônadas são os órgãos que produzem os gametas e os hormônios sexuais. Além das gônadas, as glândulas adrenais e a placenta também podem produzir hormônios sexuais. Os hormônios sexuais são primordialmente esteroides e as glândulas adrenais produzem vários esteroides. Outras estruturas que também produzem hormônios relacionados às funções reprodutivas são o hipotálamo e a hipófise, localizadas no encéfalo.


HORMÔNIO SEXUAL MASCULINO:


Testosterona:


A testosterona, a di-hidrotestosterona e a androstenediona são os hormônios andrógenos. Dentre eles, focaremos apenas na testosterona: 
 
Produzida nas células intersticiais (de Leydig) dos testículos.
Promove o desenvolvimento dos órgãos genitais masculinos.
Promove o desenvolvimento das características secundárias masculinas: 
As características sexuais primárias referem-se aos órgãos genitais (pênis, testículos e etc.).
As características sexuais secundárias são aquelas que permitem identificar o corpo como sendo masculino ou feminino, sem considerar os órgão genitais. São, por exemplo: voz mais grave, ombros mais largos, musculatura mais desenvolvida e etc. A testosterona também pode promover o desenvolvimento dessas características nas mulheres. 
Promove o estímulo sexual e vários comportamentos masculinos. Por exemplo, os comportamentos associados à reprodução, estabelecimento de relações de dominância e defesa do grupo ou família, que por sua vez, abrangem atitudes agressivas, competitivas e libidinosas. A testosterona também influencia alguns desses comportamentos nas mulheres, caso atue em conjunto com os estrógenos.
Previne a osteoporose.
Os homens adultos têm, em média, 7-8 vezes mais testosterona que uma mulher adulta.
Durante a puberdade a testosterona pode aumentar as glândulas sebáceas e as suas secreções, o que favorece o desenvolvimento da acne.
Quando um homem se apaixona os níveis de testosterona decrescem, já para as mulheres, quando se apaixonam os níveis hormonais aumentam.

 

HORMÔNIOS SEXUAIS FEMININOS:


Estrógenos:


Classe de hormônios dos quais o principal é o estradiol. Os outros, menos potentes são: estrona (o único presente durante a menopausa), estriol e estetrol (esses dois últimos só aparecem em quantidades significativas durante a gestação). Então, praticamente tudo o que se fala sobre os estrógenos no nível médio refere-se ao estradiol.
Produzido nos folículos ovarianos e na placenta. A placenta é um órgão materno fetal gerado durante a gestação, tem várias funções, como controlar o trânsito de substâncias entre a mãe e o embrião/feto, impedir que haja mistura do sangue materno com o fetal e produzir hormônios (estrógenos e progesterona).
Promove o desenvolvimento das características sexuais secundárias femininas: voz mais fina, quadris mais largos, menos pelos em certas regiões (como barba) e etc.
Promove a saúde e a boa aparência da pele. Baixos níveis de estrógenos diminuem a produção de colágeno.
Auxilia a fortalecer os ossos.
Promove o espessamento do endométrio.
Promove o desejo sexual ao atuar em conjunto com a testosterona.
Promove o bem-estar mental e os comportamentos tipicamente femininos. Níveis baixos desse hormônio estão relacionados à depressão, depressão pós-parto, síndrome pré-menstrual e distúrbio obsessivo-compulsivo. Aparentemente, o estrogênio é capaz de impedir a captação de serotonina por neurônios pré-sinápticos, promovendo o bem estar. Apesar disso, também é sabido que o humor de algumas mulheres melhora na menopausa, época em que os níveis sanguíneos desse hormônio estão baixos.
É possível que os baixos níveis de estrogênio também possam promover comportamentos imediatistas e impulsivos.
Os homens que são pais tendem a ter níveis mais elevados de estrógenos, mais especificamente o estradiol, em relação aos que não têm filhos.


Progesterona:


É o hormônio “Pro-gestação”, apesar de o nome não ter esse significado (significa logo antes da gestação).
Produzido pelos ovários e pela placenta. Nos ovários é produzido pelo corpo amarelo, ou corpo lúteo, que se desenvolve no mesmo local do folículo ovariano após a liberação de um ovócito II (ovulação).
Promove a continuidade do espessamento do endométrio e impede que ele descame, mantendo a gestação. Apesar disso, acredita-se que aproximadamente 60 % das gestações terminem em aborto espontâneo, por motivos diversos.
Quando em níveis altos, como quando ocorre na segunda etapa do ciclo menstrual, após a ovulação, a consistência de um muco produzido por glândulas no colo do útero se torna mais espesso, de forma que se torna capaz de tampar a abertura do colo uterino e impedir a locomoção e a passagem dos espermatozoides.



HORMÔNIOS HIPOFISÁRIOS:




A hipófise é uma glândula endócrina localizada no encéfalo, que libera na corrente sanguínea vários hormônios que controlam a função de outras glândulas endócrinas, como as gônadas, nesse caso, os hormônios são chamados de gonadotrofinas (nutrem as gônadas). Destacaremos dois de seus hormônios aqui:



FSH: Hormônio estimulante dos folículos (ovarianos).
LH: hormônio luteinizante.

Esses hormônios não são esteroides, têm natureza peptídica.

Nas mulheres:

FSH: promove o desenvolvimento dos folículos ovarianos: o ovócito I termina a meiose I.
LH: promove a liberação do ovócito II.

Nos homens:

FSH: promove a espermatogênese: os espermatócitos I terminam a meiose I.
LH: Promove a produção de testosterona pelas células intersticiais de Leydig.



REFERÊNCIAS:


http://health.ccm.net/faq/3636-primary-sexual-characteristic-definition
https://thepsychologist.bps.org.uk/volume-22/edition-1/testosterone-and-male-behaviours
https://en.wikipedia.org/wiki/Testosterone
https://www.healthline.com/health/does-testosterone-cause-acne#testosterone-and-acne
https://en.wikipedia.org/wiki/Estrogen
http://www.webmd.com/women/guide/estrogen-and-womens-emotions
http://blogs.scientificamerican.com/mind-guest-blog/estrogen-s-role-in-impulsive-behavior/
http://www.eurekalert.org/pub_releases/2012-01/sicp-tio010912.php
http://drauziovarella.com.br/sexualidade/desencontros-sexuais/
https://www.getthegloss.com/article/oestrogen-how-if-affects-your-skin-strength-and-state-of-mind
https://www.medicalnewstoday.com/articles/277177.php
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4720522/pdf/nihms742602.pdf
https://my.clevelandclinic.org/health/body/21957-cervical-mucus

segunda-feira, setembro 29, 2014

Gametogênese - A produção dos gametas

GAMETOGÊNESE

Maximiliano Mendes

A gametogênese é o processo de geração dos gametas, as células reprodutivas haploides que contêm apenas um conjunto cromossômico (n). Na nossa espécie o número diploide (2n) de cromossomos é 46. Assim, n = 23 cromossomos e cada gameta possui então 22 autossomos, os cromossomos 01 ao 22 (um de cada) e um cromossomo sexual, que pode ser o X ou o Y.

Os dois processos que veremos de forma simplificada aqui são a espermatogênese e a ovulogênese, a produção dos espermatozoides e a dos óvulos.

Espermatogênese:

Ocorre nos testículos, mais especificamente nas paredes dos túbulos seminíferos. É um processo dependente da ação dos hormônios FSH (hormônio estimulante dos folículos, os folículos são estruturas ovarianas) e testosterona. O FSH é produzido pela adenoipófise e as células responsáveis pela produção da testosterona são as células intersticiais (antes chamadas células de Leydig). O hormônio luteinizante (LH) influencia a secreção da testosterona pelas células intersticiais.

O FSH promove a meiose 1 e torna as células chamadas epiteliócitos sustentadores responsivas ao hormônio testosterona. A testosterona, que atua mais diretamente nos epiteliócitos sustentadores (antes chamadas células de Sertoli) promove o processo como um todo, inclusive a espermiogênese, o desenvolvimento de espermátides em espermatozoides, que inicia nos túbulos seminíferos e termina nos epidídimos. Os epiteliócitos sustentadores inclusive nutrem as espermátides durante a espermiogênese. O processo completo dura aproximadamente três meses.

A espermatogênese inicia ainda no desenvolvimento embrionário, intensifica-se a partir da puberdade e persiste durante a vida adulta do homem. Porém, lembre-se que antes da puberdade e na terceira idade a produção de espermatozoides é menos intensa, inclusive, porque a produção de testosterona também é.

A imagem a seguir resume o processo. Estão representados dois cromossomos apenas, um homólogo do outro.



No esquema, as espermatogônias são células da linhagem germinativa que se multiplicam e depois se diferenciam em espermatócitos I, células diploides que irão gerar, após a meiose I, duas células haploides, os espermatócitos II. Essas células têm os cromossomos duplicados, com duas cromátides irmãs, porém, são haploides, pois cada uma tem apenas um deles, no caso da imagem, ou o vermelho ou o laranja. Os espermatócitos II, por sua vez, passam pela meiose II e geram quatro células haploides com um cromossomo simples, não duplicado, as espermátides. As espermátides irão se diferenciar em espermatozoides após um processo de diferenciação chamado espermiogênese, que termina nos epidídimos.

A figura abaixo mostra um espermatozoide maduro com as suas principais estruturas:



Ovulogênese:

Ocorre nos folículos ovarianos, as unidades funcionais e fundamentais dos ovários. Cada folículo é uma região onde se localiza um ovócito I, estacionado na prófase I da meiose I, circundado por camadas celulares.



A ovulogênese é iniciada ainda na fase fetal, no 3º mês de desenvolvimento e cessa antes do nascimento, de forma que a mulher nasce com aproximadamente 1 – 2 milhões de folículos, dos quais muitos degeneram até a puberdade. Da puberdade a menopausa, aproximadamente 500 folículos amadurecem (esses números variam muito dependendo da fonte que se lê, mas com esses aí dá pra ter uma ideia geral). *Note que o que cessa após o nascimento é a geração de novos folículos ovarianos e ovócitos I. Após o nascimento a ovulogênese prossegue, a cada ciclo menstrual, com os ovócitos I previamente gerados.

No que diz respeito às ações dos hormônios envolvidos, depende da ação do FSH e do LH. O FSH, assim como na espermatogênese, promove o término da meiose I ao passo que o LH promove a liberação do ovócito II ao agir nas camadas foliculares e na parede do ovário.

Ao término da meiose I, são geradas duas células haploides: uma pequena chamada primeiro glóbulo ou corpúsculo polar e outra, bem maior, o ovócito II, que inicia a meiose II, mas pára na metáfase II (ovócito I, prófase I – ovócito II, metáfase II. É um saco ter de decorar isso, mas enfim...).

O ovócito II é a célula liberada no processo de ovulação e é nela que o espermatozoide irá entrar no processo de fertilização ou fecundação. A fertilização promove o término da meiose II e então são geradas duas células: o óvulo (com o espermatozoide dentro) e um segundo corpúsculo polar. O primeiro corpúsculo polar também passa pela meiose II e gera dois outros corpúsculos, mas apesar de serem gerados esses três, todos degeneram. No fim das contas só interessa mesmo gerar uma célula grande, o óvulo, que retém praticamente todo o citoplasma do ovócito I. A figura a seguir resume o processo a partir das ovogônias, as células da linhagem germinativa.


A figura abaixo mostra a estrutura simplificada de um ovócito II liberado na ovulação e ainda não fertilizado. Note que ele se encontra estacionado na metáfase II.


A zona pelúcida é uma camada de glicoproteínas que reveste o ovócito II e está envolvida no reconhecimento entre gametas da mesma espécie. A corona radiata  (ou simplesmente coroa radiada) é uma camada de células remanescentes do folículo ovariano.

Ainda é controverso, mas talvez seja possível que a ovulogênese também possa ocorrer em mulheres adultas.

Referências:

Sadler, TW. Langman’s Medical Embriology. 12th ed. Lippincot. 2012.
Moore, KL & Persaud, TVN. Embriologia Básica. Tradução da 7ª edição americana. Elsevier. 2008.
Amabis & Martho. Biologia das Células. 3ª Ed. Moderna. 2010.
Campbell, Reece et al. Biologia. 8ª Ed. Artmed. 2010.
Hacker, Gambone & Gobel. Hacker and Moore’s Essentials of Obstetrics and Gynecology. 5th Ed. Elsevier. 2009.
Linhares & Gewandsjnajder. Biologia Hoje. Vol 1. 2ª ed. Ática. 2013.
Wikipédia em língua inglesa, várias entradas sobe o tema.
http://www.embryology.ch/anglais/cgametogen/planmodgametogen.html
http://www.cell.com/cell/fulltext/S0092-8674(05)00650-1?_returnURL=http%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS0092867405006501%3Fshowall%3Dtrue
http://www.nature.com/nature/journal/v428/n6979/full/nature02316.html?foxtrotcallback=true